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Bacia do Rio Paraíba pode secar em 8 meses

OESP, Metrópole, p. A22
03 de abr de 2014

Bacia do Rio Paraíba pode secar em 8 meses
Local de onde Alckmin pretende transpor água pode chegar a 1,8% da capacidade

Fabio Leite - O Estado de S. Paulo

SÃO PAULO - Relatório finalizado em março pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) mostra que a Bacia do Rio Paraíba do Sul, de onde o governo de São Paulo pretende transpor água para o Sistema Cantareira, também atravessa uma crise de estiagem que pode deixá-la com apenas 1,8% da capacidade já em novembro. O nível seria o mais baixo da história dos reservatórios que abastecem a região do Vale do Paraíba e 80% do Estado do Rio.
O cenário é resultado de uma simulação feita pelo ONS com base na pior seca já registrada na região, em 1955, e na vazão de 190 mil litros por segundo que podem ser bombeados hoje na usina elevatória de Santa Cecília, em Barra do Piraí, para a geração de energia pela Light e para o abastecimento do Rio. Desta forma, a bacia entraria em colapso em oito meses, segundo o relatório de condições hidrológicas e de armazenamento ao qual o Estado teve acesso.
"Por sua posição estratégica para a segurança do abastecimento da Região Metropolitana do Rio, a Bacia do Rio Paraíba do Sul merece uma especial atenção no que tange à gestão de recursos hídricos", aponta o ONS, órgão responsável pelo controle da operação da geração e transmissão de energia elétrica do País. Mesmo com a redução das vazões, que poderia afetar o abastecimento no Rio, as simulações mostram cenários alarmantes, com o volume dos reservatórios entre 6,6% e 13,7% em novembro.
Segundo o documento, as quatro represas que formam a Bacia do Paraíba do Sul estavam com 40,7% da capacidade no fim de março, um dos mais baixos dos últimos anos. O recorde negativo foi registrado em novembro de 2003, quando os reservatórios tinham apenas 14,2% da capacidade. Um dos reservatórios da bacia é o Jaguari, em Igaratá, no Vale do Paraíba. É dele que o governador Geraldo Alckmin (PSDB) quer transpor água para o Cantareira.
Nesta quarta-feira, 2, o nível do principal manancial paulista, que abastece 47% da Grande São Paulo e a região de Campinas, caiu novamente, atingindo 13,3% da capacidade, o mais baixo já registrado. Segundo estimativa da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), revelada pelo Estado, o volume útil do Cantareira pode se esgotar já no dia 21 de junho. A partir daí, a empresa terá de captar água do chamado "volume morto", reserva que fica abaixo do nível das comportas, para evitar o racionamento de água generalizado.
Projeto. Foi pensando na recuperação do Cantareira que Alckmin anunciou, há duas semanas, o projeto de transposição de água do Jaguari para a Represa Atibainha, em Nazaré Paulista, um dos cinco reservatórios do manancial. O projeto causou o início de uma briga com o governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), que teme impacto da transposição no abastecimento de água fluminense. Orçado em R$ 504 milhões, o projeto está previsto apenas para o fim de 2015, e ainda está sendo debatido com a Agência Nacional de Águas (ANA) e a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que controlam as operações envolvendo o Rio Paraíba do Sul, que é federal.
Nesta quarta, Alckmin voltou a defender o projeto e disse que uma alternativa a ele seria construir um novo reservatório que teria um custo social, econômico e ambiental. "É importante esclarecer que São Paulo não pretende tirar água do Rio Paraíba", disse. "Não tem nada a ver com o Rio de Janeiro, porque o Rio de Janeiro tem vazão mínima garantida pela ANA. Ninguém pode mudar isso."
Após troca pública de farpas com Cabral, Alckmin disse ontem que é preciso "deixar de lado as paixões políticas" e "ter muito espírito de estudo". Técnicos dos dois governos devem discutir juntos o projeto. / COLABOROU LAURA MAIA DE CASTRO

Perguntas & Respostas
Dúvidas sobre abastecimento
1. O racionamento de água está descartado?

Sim, até outubro, nas cidades abastecidas pela Sabesp, porque o Sistema Cantareira deve secar até julho e o volume morto do manancial pode abastecer a Grande São Paulo por 4 meses. O governo espera que depois disso volte a chover.

2. A água do volume morto é saudável?

Ela é barrenta e contém sedimentos, mas, segundo a Sabesp, é possível captar e tratar 196 bilhões dos 400 bilhões de litros represados no fundo dos reservatórios. No Nordeste, o uso do volume morto é comum.

3. E quem mora em uma cidade que não é abastecida pela Sabesp?

Cada prefeitura define estratégias para economizar ou racionar água. Das cidades que compram da Sabesp, só Guarulhos e São Caetano tiveram corte de 15% porque são abastecidas pelo Cantareira. A empresa diz que não há previsão de cortes para quem recebe de outro manancial, como Santo André.

4. Quem tem direito ao bônus na conta de água?

Cerca de 17 milhões de pessoas que moram nas 31 cidades abastecidas pela Sabesp, incluindo a capital. Deve-se economizar ao menos 20% para ter 30% de desconto.

5. Quem mora em prédio também pode ter bônus?

Sim. Onde não há hidrômetro individualizado para medir o consumo de cada apartamento, todo o condomínio precisa atingir a meta para conseguir o desconto.

OESP, 03/04/2014, Metrópole, p. A22

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