O Globo, País, p. 10
27 de Jan de 2016
Bacia do Rio Doce tem qualidade da água péssima em 16 pontos
Laudo da SOS Mata Atlântica aponta ainda presença de metais pesados
MARLEN COUTO
marlen.couto@oglobo.com.br
A Fundação SOS Mata Atlântica apontou, em laudo técnico divulgado ontem, que a qualidade da água da bacia do Rio Doce, afetada pelo rompimento de barragens em Mariana ( MG), é péssima em 16 dos 18 pontos monitorados pela ONG. Os outros dois trechos tiveram resultado regular. Em 650 km de rios, total analisado pela pesquisa, a água está imprópria para o consumo humano e de animais.
As análises realizadas pela fundação identificaram ainda concentrações de metais pesados muito acima do que estabelece a legislação brasileira. Entre os elementos encontrados, as quantidades de cobre, alumínio e manganês estão acima do permitido em alguns trechos, enquanto as de magnésio são superiores em todos os pontos da bacia. Os níveis de cálcio e ferro, por outro lado, estão dentro do padrão. DADOS INDICAM GRAVIDADE Segundo o laudo, as concentrações de turbidez ( água turva) também estão acima do recomendado. A turbidez variou de 5.150 NTU ( unidade matemática utilizada neste tipo de medição) no distrito Bento Rodrigues, em Mariana, e o município de Barra Longa a 1.220 NTU no município mineiro de Itapatinga, enquanto o máximo aceitável, segundo a instituição, deveria ser 40 NTU.
Em nota à imprensa, a coordenadora da Rede das Águas da Fundação SOS Mata Atlântica, Malu Ribeiro, afirmou que os dados reforçam a gravidade do dano ambiental e que "as chuvas acabam por arrastar mais lama para o leito do rio e a situação tende a ficar ainda mais complicada." A coordenadora ressaltou, entretanto, que o Rio Doce já apresentava condição precária antes da tragédia em Minas Gerais.
A expedição da ONG percorreu no total 29 municípios afetados pelo rompimento das barragens, entre os dias 6 e 12 de dezembro do ano passado, com o objetivo de coletar sedimentos para análise e monitorar a qualidade da água na região .
Em novembro, a Agência Nacional de Águas ( ANA) já havia destacado que as águas do Rio Doce estariam sujeitas a novos picos de turbidez, quedas de oxigênio, aumentos na concentração de metais e prejuízos para os dependentes da bacia por períodos "indeterminados e imprevisíveis". Segundo a agência, o abastecimento de água em cidades de Minas Gerais e do Espírito Santo, dependentes do rio, demandará "novos mananciais, implantação de poços profundos e de sistemas de adução".
O Globo, 27/01/2016, País, p. 10
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