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Aventura no Velho Chico

CB, Brasil, p. 11
22 de Ago de 2005

Aventura no Velho Chico
Empresário constrói barco com mais de duas mil garrafas de plástico para descer o rio e fazer um alerta à preservação do meio-ambiente

Hércules Barros
Da equipe do Correio

Mais de duas mil garrafas PET estão prestes a descer o rio São Francisco, do Porto de Pirapora, em Minas Gerais, até Petrolina, em Pernambuco. Os vasilhames de plástico farão um percurso de 1.371 quilômetros e serão vistos por moradores de 30 municípios localizados próximo às margens do Velho Chico. Mas não se trata de lixo ou esgoto despejado no Velho Chico. As garrafas são recicladas e, juntas, deram origem ao barco Z7PET. Apesar do nome estranho, a embarcação tem metas grandiosas: a idéia é expor o problema da poluição provocada pelo lixo doméstico e as possibilidades e benefícios da reciclagem, promover educação ambiental e mapear o potencial turístico da região.

O Z7PET foi registrado e tem licenciamento da Marinha Brasileira para navegar. Movidoa força motriz, é eólico, mas com a possibilidade de utilizar remos e motor. O barco foi aprovado pela Marinha na categoria de navegação interior. A inscrição do flutuante de 22 pés e cerca de 7 metros de comprimento foi liberada pela Capitania dos Portos de Natal (RN) para navegar apenas em rios e baías. Não está liberada para translado no mar. "O barco atende a todos os procedimentos de sinalização, segurança e navegação. Para o responsável pelo projeto dar início à expedição só precisa colocar o barco por mais uma inspeção", afirma o tenente Henrique Afonso, da Capitania dos Portos de Natal.

Palestras
A aventura foi idealizada pelo empresário paulista Eduardo de Carvalho, 32 anos, amante de esportes radicais. Para a descida no Velho Chico, Carvalho programou palestras de educação ambiental e atividades lúdicas com as crianças das cidades ribeirinhas. Ele vai falar sobre o uso racional da água e da necessidade de preservação do rio. Às crianças carentes, vai ensinar a fazer brinquedos com as garrafas de refrigerante, como carrinhos e helicópteros.
"Para fazer o barco compramos quatro mil garrafas na reciclagem do aterro sanitário de Natal, no Rio Grande do Norte. Descartamos as contaminadas e furadas. Para conseguir flutuar foi necessário instalar 1.020 PETs em cada lado da embarcação", explica Carvalho. O Z7PET, atracado no Iate Clube de Natal (RN), está pronto para enfrentar as águas do maior rio totalmente brasileiro, que cruza cinco estados.

Carvalho construiu o Z7PET com ajuda de um engenheiro naval. A idéia do barco de PETs surgiu depois de o empresário ter a desagradável surpresa de ver garrafas plásticas descendo uma cachoeira no interior de São Paulo onde costuma fazer rapel. "Fiquei chateado, mas quando vi as garrafas flutuando, pensei em fazer um barco", contou.

Embora o empresário não revele os custos do invento, Carvalho contou com o patrocínio e apoio da iniciativa privada, de estatais como a Petrobras, da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Paraíba (Codevasf) e da Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf). Só a Codevasf desembolsou R$ 15 mil. O dinheiro veio do Programa de Revitalização do Rio São Francisco da Codevasf, que é coordenado pelos ministérios da Integração e do Meio Ambiente .

Consciência ecológica
Segundo a assessoria de comunicação da Codevasf, é comum a companhia patrocinar iniciativas e projetos que promovem consciência ecológica e visam a preservação do rio São Francisco. O coordenador do Programa de Revitalização do Rio São Francisco no MMA, Maurício Laxe, lembra que há dois anos o programa patrocinou um projeto semelhante. "Foi durante a comemoração dos 500 anos de descobrimento do São Francisco", afirma. Entretanto, ao ser questionado sobre as formas de retorno do investimento na aventura do empresário paulista, Laxe não soube precisar se haverá prestação de contas ou apresentação de relatório de atividades.

Laxe ressalta que a iniciativa está em acordo com o lema do programa Conhecer para Revitalizar e defende que o projeto tem uma boa programação de educação ambiental. "Por isso concordamos com a liberação dos recursos", diz. A expedição vai passar por parques nacionais e pelo lago Sobradinho, no médio São Francisco. Em alguns pontos, o lago tem mais de 30 quilômetros de uma margem à outra. É maior que a baía de Guanabara, no Rio de Janeiro. "É como se estivesse em alto mar. Você olha para todos os lados e só vê água", afirma o empresário. A aventura solitária está prevista para começar em setembro.

CB, 22/08/2005, p. 11 Aventura no Velho Chico
Empresário constrói barco com mais de duas mil garrafas de plástico para descer o rio e fazer um alerta à preservação do meio-ambiente

Hércules Barros
Da equipe do Correio

Mais de duas mil garrafas PET estão prestes a descer o rio São Francisco, do Porto de Pirapora, em Minas Gerais, até Petrolina, em Pernambuco. Os vasilhames de plástico farão um percurso de 1.371 quilômetros e serão vistos por moradores de 30 municípios localizados próximo às margens do Velho Chico. Mas não se trata de lixo ou esgoto despejado no Velho Chico. As garrafas são recicladas e, juntas, deram origem ao barco Z7PET. Apesar do nome estranho, a embarcação tem metas grandiosas: a idéia é expor o problema da poluição provocada pelo lixo doméstico e as possibilidades e benefícios da reciclagem, promover educação ambiental e mapear o potencial turístico da região.

O Z7PET foi registrado e tem licenciamento da Marinha Brasileira para navegar. Movidoa força motriz, é eólico, mas com a possibilidade de utilizar remos e motor. O barco foi aprovado pela Marinha na categoria de navegação interior. A inscrição do flutuante de 22 pés e cerca de 7 metros de comprimento foi liberada pela Capitania dos Portos de Natal (RN) para navegar apenas em rios e baías. Não está liberada para translado no mar. "O barco atende a todos os procedimentos de sinalização, segurança e navegação. Para o responsável pelo projeto dar início à expedição só precisa colocar o barco por mais uma inspeção", afirma o tenente Henrique Afonso, da Capitania dos Portos de Natal.

Palestras
A aventura foi idealizada pelo empresário paulista Eduardo de Carvalho, 32 anos, amante de esportes radicais. Para a descida no Velho Chico, Carvalho programou palestras de educação ambiental e atividades lúdicas com as crianças das cidades ribeirinhas. Ele vai falar sobre o uso racional da água e da necessidade de preservação do rio. Às crianças carentes, vai ensinar a fazer brinquedos com as garrafas de refrigerante, como carrinhos e helicópteros.
"Para fazer o barco compramos quatro mil garrafas na reciclagem do aterro sanitário de Natal, no Rio Grande do Norte. Descartamos as contaminadas e furadas. Para conseguir flutuar foi necessário instalar 1.020 PETs em cada lado da embarcação", explica Carvalho. O Z7PET, atracado no Iate Clube de Natal (RN), está pronto para enfrentar as águas do maior rio totalmente brasileiro, que cruza cinco estados.

Carvalho construiu o Z7PET com ajuda de um engenheiro naval. A idéia do barco de PETs surgiu depois de o empresário ter a desagradável surpresa de ver garrafas plásticas descendo uma cachoeira no interior de São Paulo onde costuma fazer rapel. "Fiquei chateado, mas quando vi as garrafas flutuando, pensei em fazer um barco", contou.

Embora o empresário não revele os custos do invento, Carvalho contou com o patrocínio e apoio da iniciativa privada, de estatais como a Petrobras, da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Paraíba (Codevasf) e da Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf). Só a Codevasf desembolsou R$ 15 mil. O dinheiro veio do Programa de Revitalização do Rio São Francisco da Codevasf, que é coordenado pelos ministérios da Integração e do Meio Ambiente .

Consciência ecológica
Segundo a assessoria de comunicação da Codevasf, é comum a companhia patrocinar iniciativas e projetos que promovem consciência ecológica e visam a preservação do rio São Francisco. O coordenador do Programa de Revitalização do Rio São Francisco no MMA, Maurício Laxe, lembra que há dois anos o programa patrocinou um projeto semelhante. "Foi durante a comemoração dos 500 anos de descobrimento do São Francisco", afirma. Entretanto, ao ser questionado sobre as formas de retorno do investimento na aventura do empresário paulista, Laxe não soube precisar se haverá prestação de contas ou apresentação de relatório de atividades.

Laxe ressalta que a iniciativa está em acordo com o lema do programa Conhecer para Revitalizar e defende que o projeto tem uma boa programação de educação ambiental. "Por isso concordamos com a liberação dos recursos", diz. A expedição vai passar por parques nacionais e pelo lago Sobradinho, no médio São Francisco. Em alguns pontos, o lago tem mais de 30 quilômetros de uma margem à outra. É maior que a baía de Guanabara, no Rio de Janeiro. "É como se estivesse em alto mar. Você olha para todos os lados e só vê água", afirma o empresário. A aventura solitária está prevista para começar em setembro.

CB, 22/08/2005, Brasil, p. 11

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