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Avanço da vegetação e aumento de bichos

O Globo, Ciência, p. 33
20 de Fev de 2013

Avanço da vegetação e aumento de bichos
Mudanças climáticas seriam responsáveis por recuo do solo congelado

Nas últimas duas décadas, as temperaturas na Península Antártica subiram 2 graus Celsius, um aumento para lá de anômalo, segundo especialistas. Em áreas onde se registram, em média, zero grau Celsius no verão, tal aumento não é percebido com tanta facilidade. E os paredões de gelo por toda parte são a parte mais visível do frio. Mas há outras formas de se mensurar as mudanças climáticas no local, além da simples medição. Cientistas brasileiros estudam a vegetação rasteira por lá e revelam que ela está avançando a olhos vistos. Onde antes havia solo congelado e estéril, agora florescem gramíneas.
- Registramos diversos pontos em que há um claro recuo do gelo - explica o botânico Jair Putzke, da Universidade de Santa Cruz do Sul, que participa das pesquisas na Antártica desde 1986. - E um avanço grande da vegetação rasteira.
Parte dessa vegetação, explica Putzke, é de plantas invasoras, levadas por eventuais turistas, militares e pesquisadores.
- Hoje a legislação é bem rígida, mas no começo não era - conta Putzke. - Muita coisa foi introduzida. Mas elas só florescem porque as temperaturas mais brandas estão permitindo o descongelamento dos solos.
Para piorar a situação, os cientistas constataram também que a vegetação, em vez de resgatar CO2 da atmosfera (um dos principais gases do efeito estufa), acaba propiciando o aumento das emissões. É que nos solos não mais congelados os micro-organismos proliferam, produzindo CO2. Ou seja, além de ser um sinal de que a temperatura está aumentando, a vegetação em si também alimenta o ciclo das mudanças climáticas.
E o problema não para por aí. O aumento da vegetação induz também o crescimento da população de aves marinhas, como skuas, e os cientistas temem pela sorte dos pinguins.
- Animais e plantas estão aumentando na Antártica - resume Putzke. - Em muitos casos, são bichos que comem pinguins. Há a possibilidade de algumas populações aumentarem e outras diminuírem significativamente, criando um desequilíbrio.

O Globo, 20/02/2013, Ciência, p. 33

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