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Avanço da soja ameaça equilíbrio no Estado

OESP, Nacional, p. A13
14 de Nov de 2004

Avanço da soja ameaça equilíbrio no Estado
Braga acha impossível conter fronteira agrícola, mas quer evitar processo 'irracional, predatório, devastador'

O Amazonas, com uma área de 157.782.000 hectares, é o maior Estado brasileiro. Suas dimensões são maiores que as de qualquer país da América Latina. Abrange sozinho um terço da região amazônica, sendo sua porção mais protegida, com menos de 3% de áreas desmatadas.
O atual governador, Eduardo Braga, do PPS, acredita que é possível manter esse nível de conservação e ao mesmo tempo estimular a atividade econômica. No momento a ameaça ecológica mais iminente é o avanço da soja na região de campos, no sul do Estado.
Para Braga, o avanço daquela fronteira agrícola, a exemplo do que aconteceu em Estados vizinhos, é inevitável. "Mas não pode acontecer de forma irracional e predatória", diz Braga. "Vamos intervir para preservar o ecossistema dos campos naturais, que os agricultores querem para a soja."
Uma das estratégias do governo é a ampliação de áreas protegidas. Isso não significa apenas o crescimento de territórios que devem permanecer intocados. Várias das novas áreas de proteção são habitadas por populações extrativistas e ribeirinhas - expressão que se usa para designar os grupos que vivem ao lado da água e dependem dela para viver: "Essas populações têm protegido vastas extensões da Amazônia por gerações. É preciso melhorar suas condições de vida."
Manejo
Desenvolvimento sustentável é a expressão chave de seu discurso. "Não se trata apenas de proibir o corte de árvores. Muitos que dependem disso para sobreviver acabam indo para a ilegalidade e destruindo mais ainda a floresta. Estamos estimulando o manejo de florestas, rios e lagos; incentivando cada uma das diferentes regiões do Estado a explorar de forma adequada seus potenciais. Estamos falando de um choque cultural. Pode levar tempo para dar resultado, mas vai dar."
No caso do gasoduto, o governador acha que pode servir para levar mais benefícios à população ribeirinha: "Não vamos só ver a riqueza passar por aqui."
Na opinião dele o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem sido bom para seu Estado. Cita como exemplo a prorrogação dos incentivos da Zona Franca de Manaus e o próprio gasoduto - que só teria saído do papel com o empurrão federal.
Hidroavião
Braga chegou de avião a Anamã. Foi saudado por rojões e os aplausos de um grupo de quase 150 pessoas. Todas vestiam camisetas nas cores azul e vermelha (as cores dos grupos Garantido e Caprichoso, do Festival do Boi-Bumbá, da cidade de Parintins), com o nome do governador estampado na frente.
A equipe que chegou um dia antes à cidade com a missão de enfeitar a praça para o casamento também espalhou faixas com parabenizações a Braga pela sua visita. Durante a cerimônia noturna, uma faixa bem iluminada e estendida no prédio vizinho dizia: "Zona Franca Verde e governador Eduardo Braga - um caso de amor com o interior."
Nos discursos que precederam a cerimônia, os oradores se dirigiram mais a Braga do que aos noivos. Segundo o secretário estadual de Trabalho e Cidadania, a celebração marcava "o casamento do governador com povo humilde".
A exceção foi o juiz que casou os noivos. Fez um discurso só para eles: "Para os que já têm uma experiência de vida em comum, sejam felizes! Aos que começam agora, um alerta: vai ser difícil. Sejam tolerantes uns com os outros. Resolvam seus desentendimentos com conversas. Não discutam com a cabeça quente."
Também foi o juiz quem disse aos noivos que podiam se beijar. Foi atendido de forma discreta.

Estações impõem ritmo às obras
Desafio: O traçado do Gasoduto Coari-Manaus atravessa regiões de áreas alagadas, rios oceânicos e clima ingrato. Os tubos só podem ser levados à região de barco e na estação das chuvas - que dura seis meses. Por outro lado, as valas onde serão enterrados os tubos, com 20 polegadas de diâmetro, só podem ser abertas na outra estação - que também dura seis meses. O vão do Rio Negro a ser atravessado pelos tubos tem 11 quilômetros de diâmetro e áreas com até 60 metros de profundidade. Deve ser empregada ali a mesma tecnologia que a engenharia da Petrobrás empregou na instalação de tubos na Bacia de Campos, no litoral fluminense. No total as obras se estenderão por 383 quilômetros, entre Urucu e Manaus. Haverá outra linha de tubos de 279 quilômetros, ligando a reserva a Coari. A reserva de gás que a Petrobrás controla naquela região é uma das maiores do mundo, com 48,75 bilhões de metros cúbicos de gás. Sua chegada a Manaus aliviará o consumo de óleo diesel naquela capital.

OESP, 14/11/2004, Nacional, p. A13

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