A Critica-Manaus-AM
02 de Abr de 2002
O fortalecimento da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) e do movimento indígena no Brasil é um dos dois pontos de destaque do 1o Seminário de Fortalecimento Institucional, na avaliação do coordenador geral das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira, Cláudio Pereira, 52. Realizado de 25 a 28 de março, em Mosqueiro, Belém (PA), o seminário "tornou possível que, em um momento oportuno, avaliássemos nossa atuação enquanto movimento e identificássemos os novos caminhos a serem trilhados tanto pela Coiab quanto pelas organizações que representam os diferentes povos indígenas", disse Pereira.
O segundo ponto que deverá ter repercussões profundas nessa área é o plano de capacitação dos indígenas. Para Cláudio Pereira, aprovar a implementação de um projeto dessa natureza é um dado extremamente significativo às organizações indígenas, pois estas, após refletirem sobre as deficiências que enfrentam, decidem buscar alternativas visando superá-las e, com isso, municiar-se de instrumentos da administração para melhorar a forma de gerenciamento desses espaços de articulação e das potencialidades do movimento indígena na Amazônia. "Vamos nos capacitar a fim de ter maior clareza sobre como defender o que é realmente importante aos povos indígenas", disse Cláudio Pereira.
A criação de grupos de referência na Região Amazônica, formados por índios e não índios, é um dos mecanismos que o movimento indígena utilizará nessa fase de reorganização política porque passa. Caberá a esses grupos a responsabilidade de apoiar, orientar e propor e subsidiar as organizações a fim de que essas possam responder as demandas formuladas pelas comunidades indígenas. Tanto os grupos de referência quanto o plano de capacitação começarão a ser constituídos dentro das próximas duas semanas.
Para Francisco Loebens, da área de Formação do Conselho Indigenista Missionário (Cimi/Norte I), o seminário gerou respostas positivas. "Um tema correlato que surgiu durante os debates, o de considerar na estratégia do fortalecimento institucional, a existência das organizações tradicionais é um sinal de sensibilidade e maturidade, já que tais organizações são portadoras de uma dinâmica importante dentro das várias frente de lutas nas quais estão envolvidos os povos indígenas", disse.
Loebens considera que a criação dos grupos de referência se é uma tarefa difícil e delicada, também é fundamental para que ações como Projetos Demonstrativos dos Povos Indígenas (PDPI), recém criado, possam dar certo.
A participação efetiva das lideranças indígenas, discussões intensas e propostas definidas, após três dias de reunião, é o dado de maior significação, na opinião do gerente técnico do PDPI, Gersem dos Santos Luciano, ao avaliar ontem os resultado do seminário de fortalecimento institucional.
O encontro de Mosqueiro teve a participação de 60 delegados, dos quais 50 lideranças indígenas dos nove Estados da Amazônia Brasileira, além de representantes de órgãos do governo brasileiro (Ministério do Meio Ambiente/Secretaria de Coordenação da Amazônia e Funai), de agências de cooperação internacional, como a alemão GTZ e Departamento Internacional para Desenvolvimento (DFID), do governo britânico.
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