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Aterro ameaça nascentes do Riacho Doce, em Maceió

OESP, Vida, p. A21
16 de Jan de 2011

Aterro ameaça nascentes do Riacho Doce, em Maceió
Área é protegida por lei, mas segue sendo degradada; segundo morador, quem denuncia é perseguido

Ricardo Rodrigues / Maceió

O Rio Riacho Doce, que virou romance na literatura do escritor paraibano José Lins do Rego (1901-1957), está seriamente ameaçado. Embora protegidas pela legislação, as nascentes estão degradadas, desprotegidas e recebem dejetos do Conjunto Residencial Benedito Bentes e de um aterro sanitário.
A nascente do braço direito do rio fica trás do aterro, a poucos metros da lagoa de chorume. A área em torno dessa nascente foi aterrada, comprometendo o que restou da Mata Atlântica naquele local. "Pior que a poeira é a morte da nascente do Riacho Doce. É um crime o que estão fazendo", comenta um morador, que pediu para não ser identificado. Segundo ele, quem denuncia sofre perseguição; um líder comunitário foi assassinado depois que passou a cobrar solução para o problema.
A empresa responsável pelas obras, a V2 Ambiental, com sede em Salvador (BA), comprometeu-se a estruturar as quatro células do aterro e operá-las durante cinco anos, cada uma.
O consultor ambiental Alder Flores, assessor da empresa, negou que as obras do aterro tenham sido responsáveis pelo assoreamento da nascente do rio.
Segundo ele, o aterramento da região alagada, onde fica a nascente do braço direito do rio, deve ter sido aterrada durante o período chuvoso. Ele também disse que a criação de gado na região polui o rio. Além disso, a grande quantidade de folhas reduz a oxigenação e prejudica a qualidade das águas.
Chorume. Com relação a um possível vazamento de chorume, cuja investigação é acompanhada pela Comissão de Meio Ambiente da Assembleia Legislativa de Alagoas, Flores disse que o tratamento que vem sendo dado está de acordo com todos os procedimentos exigidos pelos órgãos ambientais para a implantação do projeto. Ele também diz que o chorume tratado no próprio aterro segue para uma lagoa de estabilização e depois é transportado em caminhões-pipa até o emissário submarino, de onde segue para o mar.

OESP, 16/01/2011, Vida, p. A21

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20110116/not_imp666835,0.php

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