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Assembléia Legislativa busca contornar crise entre índios e Funai

Capital Press
Autor: Elzis Carvalho
02 de abr de 2008

A transferência da Administração Executiva Regional da Fundação Nacional do Índio de Cuiabá, para o município de Juína mobiliza a Assembléia Legislativa, que busca resolver o impasse entre os índios mato-grossenses e o presidente da Funai, Márcio Meira.

Na semana passada, o governo federal transferiu a sede da Administração Executiva Regional da Funai de Cuiabá, para o município de Juína. Na capital ficou apenas o Núcleo de Apoio Operacional. Juína está localizada a 718 quilômetros de Cuiabá.

Nesta quarta-feira (2), o presidente da Assembléia Legislativa, deputado Sérgio Ricardo (PR), esteve reunido na sede da Funai em Cuiabá com pelo menos, 100 silvícolas. Eles (índios) estão acampados, lá desde o último final de semana. Os índios querem a presença do presidente nacional do órgão na capital.

De acordo com o Sérgio Ricardo, todos os deputados estão empenhados em resolver o impasse criado com a transferência da Administração Executiva Regional de Cuiabá, para Juína. Ainda, segundo o parlamentar, a revogação da Portaria 293 que transferiu a administração para Juína está sendo discutida junto à bancada federal, em Brasília.

"O Parlamento mais uma vez cumpre o seu papel. Estou levando as reivindicações para o governador Blairo Maggi e para a bancada federal. A Assembléia Legislativa está ao lado do movimento indígena nessa questão", destacou Sérgio Ricardo.

Na sede da Funai - localizada no Centro Político Administrativo - estão acampados, pelo menos 400 índios das etnias Bacairi, Terena, Xavantes, Umutina, Bororó, Chiquitano, Guató e Nambiquara.

De acordo com Sérgio Ricardo, a ação tomada pela Funai busca dificultar a vida dos silvícolas. "Se existe uma administração na capital perto de tudo, não consigo entender a transferência para Juína", disse o parlamentar.

O presidente ressaltou ainda que a Funai pode fazer uma outra administração em Juína e também em outras cidades mato-grossenses. "Quanto mais, melhor para os atendimentos aos índios. Agora tirar da capital não tem justificativa. A reivindicação é justa e legitima", destacou Sérgio Ricardo.

Segundo o representante da tribo Terena - localizada na divisa com o Pará - Milton Rondon, caso a decisão de transferir a administração para Juína na seja revogada, os índios vão radicalizar o movimento.

"Caso não sejamos atendidos, vamos radicalizar. Não queremos que chegue ao constrangimento. Vamos engrossar o movimento e radicalizar", disse Milton Rondon.

Na mesma linha de raciocínio, Creusa Soripa - da tribo Umutina de Barra do Bugres - afirmou que "vamos fechar rodovias em Mato Grosso. Nós queremos uma explicação do presidente da Funai".

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