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Assassinatos de índios crescem 150% em MS

Jornale Curitiba
06 de Jan de 2008

Dados da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) mostram que o número de assassinatos nas reservas indígenas do Mato Grosso do Sul cresceu 150% em 2007 na comparação com o ano anterior. Entre janeiro e outubro de 2007, 35 indígenas foram mortos em conflitos fundiários ou em episódios relacionados ao consumo de álcool e de drogas. Em todo o ano de 2006, foram 14 homicídios. O Estado é o que tem a segunda maior população indígena do País, com 63 mil pessoas.

"Os índios estão confinados em áreas minúsculas, essa é a raiz do problema que se soma à proximidade com as cidades de onde vieram o alcoolismo e as drogas", diz o coordenador técnico do Distrito Sanitário Indígena da Funasa em Mato Grosso do Sul, Zelik Trajber.

A situação mais grave é a da reserva de Dourados, onde foi registrada quase metade das mortes. Os 15 assassinatos significam uma taxa de 120 homicídios para cada 100 mil habitantes - o dobro do Rio de Janeiro (57 por 100 mil).

Quando foi criada em 1917, viviam ali menos de 500 índios. Hoje, são 12,5 mil indígenas nos 3,5 mil hectares originais da reserva, que nunca foi ampliada. As aldeias Jaguapiru e Bororó, que a compõem, estão localizadas na periferia da cidade, a segunda maior do Estado.

A reserva de Dourados ficou conhecida no mundo em 2005, quando pelo menos 36 crianças guarani kaiowa morreram em decorrência da desnutrição infantil. Cestas básicas e visitas freqüentes de agentes de saúde estão combatendo o problema, mas o modo de vida tradicional dos índios guaranis está comprometido pela falta de espaço, segundo Trajber. Na reserva, não há pesca ou mata para a caça. É comum índios deixarem suas aldeias para atividades como o corte de cana ou para mendigar nas ruas de Dourados.

A disputa fundiária é outro motor da violência. Índios e fazendeiros disputam uma área conhecida como Kurusu Amba, na divisa dos municípios de Coronel Sapucaia e Amambai. No local, dois líderes guaranis foram assassinados no ano passado.

Zulita Lopes, 70 anos, foi morta a tiros em janeiro. Em julho, Ortiz Lopes, 45 anos, foi executado na porta de casa por pistoleiros ainda não identificados. A Polícia Federal investiga as ligações de seguranças contratados por fazendeiros da região com os dois crimes, mas ninguém foi acusado.

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