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Áreas protegidas do Pará lideram pressão por desmatamento na Amazônia em 2025

Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) - imazon.org.br
23 de Fev de 2026

O Pará concentrou sete das dez áreas protegidas mais pressionadas pelo desmatamento na Amazônia em 2025. Esses territórios, total ou parcialmente situados no estado, foram identificados pelo relatório Ameaça e Pressão em Áreas Protegidas de 2025, que analisa a derrubada de floresta no entorno e no interior desses territórios.

Entre os casos registrados estão três unidades de conservação estaduais, duas unidades de conservação federais e duas terras indígenas. A diversidade de categorias reforça a necessidade de articulação entre diferentes esferas de governo, além do fortalecimento da participação das populações tradicionais na gestão territorial.

"Essa recorrência evidencia a urgência de integrar esforços institucionais e garantir que as comunidades estejam no centro das estratégias de proteção. A gestão compartilhada e a atuação coordenada são fundamentais para conter o avanço da perda", afirma o pesquisador do Imazon Carlos Souza Jr.

Áreas Protegidas com mais Pressão

Ranking Nome Categoria Estado
1 Resex Chico Mendes UCF AC
2 APA Triunfo do Xingu UCE PA
3 TI Andirá-Marau TI AM/PA
4 Resex Alto Juruá UCF AC
5 TI Cachoeira Seca do Iriri TI PA
6 APA do Lago de Tucuruí UCE PA
7 TI Vale do Javari TI AM
8 APA Arquipélago do Marajó UCE PA
9 Resex Verde para Sempre UCF PA
10 APA do Tapajós UCF PA
A análise considera tanto o desmatamento registrado no interior dessas áreas protegidas, classificado como pressão, quanto as ocorrências em seu entorno, identificadas como ameaça. Essa abordagem permite identificar não apenas onde a floresta já está sob maior impacto, mas também onde há maior risco de novos danos. A derrubada da floresta compromete sua função ambiental e coloca em risco a biodiversidade e os modos de vida das populações que dependem dela.

O Pará ainda se destaca entre as áreas mais ameaçadas, ou seja, aquelas com destruição em seu entorno, com cinco locais, total ou parcialmente, no estado. "O cenário reforça a necessidade de medidas imediatas, direcionadas e contínuas, priorizando estratégias para evitar que o risco se converta em novas reduções de cobertura florestal. Sem ações estruturadas e coordenadas, a tendência é de agravamento do quadro, com a ameaça se tornando pressão e comprometendo a integridade do meio ambiente e os direitos e modos de vida tradicionais", observa a pesquisadora do Imazon Bianca Santos.

Áreas Protegidas com mais Ameaça

Ranking Nome Categoria Estado
1 Resex Chico Mendes UCF AC
2 Parna Mapinguari UCF AM/RO
3 APA do Lago de Tucuruí UCE PA
4 TI Trincheira/Bacajá TI PA
5 Parna da Serra do Divisor UCF AC
6 Flona do Tapajós UCF PA
7 TI Arara TI PA
8 Flona de Saracá-Taquera UCF PA
9 Resex do Cazumbá-Iracema UCF AC
10 TI Kulina do Médio Juruá TI AC/AM
Chico Mendes lidera ranking de ameaça e pressão
A Reserva Extrativista (Resex) Chico Mendes, no Acre, foi a área protegida com os maiores níveis de ameaça e pressão em 2025, liderando também o ranking entre as unidades de conservação. O cenário revela outro dado preocupante: todas as dez unidades de conservação federais mais pressionadas neste período já haviam aparecido em 2024.

O Acre concentrou o maior número de unidades de conservação federais sob pressão, com seis das dez mais impactadas. O padrão evidencia que a derrubada está concentrada em áreas específicas, que demandam ações prioritárias.

"No caso da Resex Chico Mendes, a recorrência no topo das classificações acende um sinal de alerta, demonstrando que as ações adotadas até o momento não têm sido suficientes e reforçando a necessidade de estratégias contínuas, integradas e adaptadas à realidade da região", afirma Bianca.

Unidades de Conservação Federais com mais Pressão

Ranking Nome Estado
1 Resex Chico Mendes AC
2 Resex Alto Juruá AC
3 Resex Verde para Sempre PA
4 APA do Tapajós PA
5 Parna da Serra do Divisor AC
6 Flona de Tefé AM
7 Resex Tapajós-Arapiuns PA
8 Resex do Alto Tarauacá AC
9 Resex do Cazumbá-Iracema AC
10 Resex Riozinho da Liberdade AC
Unidades de Conservação Federais com mais Ameaça

Ranking Nome Estado
1 Resex Chico Mendes AC
2 Parna Mapinguari AM/RO
3 Parna da Serra do Divisor AC
4 Flona do Tapajós PA
5 Flona de Saracá-Taquera PA
6 Resex do Cazumbá-Iracema AC
7 Flona do Trairão PA
8 Resex Tapajós-Arapiuns PA
9 APA do Tapajós PA
10 Flona do Aripuanã AM
TI Trincheira/Bacajá é a mais ameaçada pelo desmatamento pelo segundo ano consecutivo
As terras indígenas Trincheira/Bacajá e Arara, ambas no Pará, registraram os maiores níveis de ameaça em 2025, considerando as ocorrências de desmatamento no entorno de seus limites.

No caso da TI Trincheira/Bacajá, é o segundo ano consecutivo na liderança do ranking. A TI Arara, que estava em terceiro lugar no período anterior, avançou para a segunda colocação em 2025, evidenciando a intensificação do risco em seu entorno.

Terras Indígenas com mais Ameaça

Ranking Nome Estado
1 TI Trincheira/Bacajá PA
2 TI Arara PA
3 TI Kulina do Médio Juruá AC/AM
4 TI Uru-Eu-Wau-Wau RO
5 TI WaiWái RR
6 TI Parakanã PA
7 TI Vale do Javari AM
8 TI Cachoeira Seca do Iriri PA
9 TI Jacareúba/Katawixi AM
10 TI Trombetas/Mapuera AM/PA/RR
Quando se observa a pressão, o destaque é da TI Andirá-Marau e da TI Cachoeira Seca do Iriri. Nesse recorte, verifica-se forte repetição: nove das dez terras indígenas com maiores índices em 2025 já haviam aparecido entre as mais impactadas no período anterior. Além disso, o Amazonas concentra oito das dez com maior incidência de perda, total ou parcialmente situadas em seu território.

Terras Indígenas com mais Pressão

Ranking Nome Estado
1 TI Andirá-Marau AM/PA
2 TI Cachoeira Seca do Iriri PA
3 TI Vale do Javari AM
4 TI Mundurucu PA
5 TI Waimiri Atroari AM/RR
6 TI Yanomami AM/RR
7 TI Kaxuyana-Tunayana AM/PA
8 TI Trombetas/Mapuera AM/PA/RR
9 TI Alto Rio Negro AM
10 TI Nhamundá-Mapuera AM/PA

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