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Aquecimento nos pólos é resultado da ação humana

OESP, Vida, p. A18
31 de Out de 2008

Aquecimento nos pólos é resultado da ação humana
Estudo confirma relação de causa e efeito, ainda questionado por alguns

Alexandre Gonçalves

Uma pesquisa publicada hoje na revista Nature Geoscience demonstra, pela primeira vez, que a ação humana é responsável pelo significativo aumento da temperatura nos pólos nas últimas décadas. O aquecimento no Ártico e na Península Antártica (região mais ocidental do continente) já havia sido comprovado antes, mas as mudanças não foram atribuídas diretamente à influência do homem, que permanecia como uma das hipóteses possíveis, mas sem comprovação.

Os cientistas da Universidade de East Anglia (Inglaterra) utilizaram dados sobre temperatura obtidos na superfície das duas regiões. Para o Ártico, foram considerados registros de janeiro de 1900 a julho de 2008. Já na Antártida, só estavam disponíveis dados a partir de 1950. Criaram-se quatro modelos para identificar as causas do aquecimento. Quando a variável "ação humana" era desconsiderada nas simulações, os modelos não explicavam de forma satisfatória o aumento da temperatura.

O principal autor do trabalho, Nathan Gillett, considera muito importante diminuir a emissão dos gases causadores do efeito estufa. "Seriam necessários séculos para reverter o processo de aquecimento, mas podemos reduzir os impactos", afirma Gillett.

Peter Stott, que também participou do estudo, considera que muitas pessoas ainda não reconhecem as mudanças climáticas como um problema. "Há senso de urgência em alguns", pondera. "Mas não há uma redução substancial dos gases do efeito estufa."

Para Jefferson Simões, do Núcleo de Pesquisas Antárticas e Climáticas da Universidade Federal do Rio Grande do sul, a questão ambiental no Brasil costuma estar sempre centrada na Amazônia. "A Antártida também deve ser uma prioridade para o País", considera Simões. "Ela desempenha um papel muito importante para o equilíbrio climático no País, especialmente na região sul, e no resto do mundo."

OESP, 31/10/2008, Vida, p. A18

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