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Aquecimento faz planta subir montanha

OESP, Vida, p. A20
27 de Jun de 2008

Aquecimento faz planta subir montanha
Espécies européias passaram a ocupar regiões mais altas e frias

Washington

Para fugir do calor, as plantas estão subindo as montanhas. Um estudo realizado com 171 espécies na Europa Ocidental, divulgado hoje na revista Science, mostra que a maioria delas têm buscado locais mais altos e frios.

É a primeira marca do aquecimento global na distribuição da flora por altitude, não apenas em ecossistemas sensíveis, diz o principal autor do estudo, Jonathan Lenoir, da AgroParisTech, braço agrícola do Instituto de Tecnologia de Paris (França). Segundo o grupo, formado por cientistas franceses, americanos e chilenos, as espécies subiram em média 29 metros por década, numa comparação entre o período 1905 a 1985 com o intervalo entre 1986 e 2005.

De acordo com o pesquisador Pablo Maraquet, da Pontifícia Universidade Católica do Chile, que também participou da análise, o resultado mostra que não são afetados apenas topos de montanhas e os pólos. "Normalmente é difícil estabelecer o impacto das mudanças climáticas sobre as espécies, porque há muitos fatores de influência. Em nosso estudo, controlamos outros fatores, incluindo o uso da terra e a oferta de nutrientes", afirma.

SOBE E DESCE

O grupo mapeou a localização de plantas desde o nível do mar até 2.400 metros em seis regiões francesas. A movimentação significa que as sementes crescem melhor em determinados locais - no caso, os mais altos - do que em outros.

Das 171 espécies, 118 subiram as montanhas e 53 desceram. "Cada espécie se comporta de forma diferente, mas em conjunto elas mostram uma resposta clara e significativa associada à distribuição ascendente", explica Lenoir.

As espécies mais ágeis são aquelas com ciclos reprodutivos mais curtos, como ervas, samambaias e musgos - processo diferente das árvores, que se reproduzem mais lentamente e, por isso, estão mais ameaçadas pelas mudanças climáticas. As plantas estudadas são as mais comuns nas montanhas francesas, diz Lenoir, o que permitiu ao grupo coletar o máximo possível de informações.

Para a cientista Linda Mearns, do Centro Nacional de Pesquisa Atmosférica dos Estados Unidos, que não participou do estudo, o resultado "é uma importante contribuição para a crescente literatura que documenta os efeitos das mudanças climáticas".

MAIS QUENTE

Em outro estudo, publicado na revista canadense Journal of Fisheries and Aquatic Sciences, o pesquisador Jeremy Collie, da Universidade de Rhode Island, indica alterações nas populações de peixes que vivem na Baía de Narragansett e na Barreira de Rhode Island.

Segundo Collie, as espécies predominantes são hoje as mais adaptadas a águas quentes. A temperatura naquela região subiu cerca de 3oC desde 1959 - influência, afirma Collie, do aquecimento global.
AP E EFE

OESP, 27/06/2008, Vida, p. A20

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