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Apuí não é contra o parque nacional

WWF-Brasil
Autor: Cláudio Maretti
30 de jun de 2006

Quatro delegados da Expedição Juruena-Apuí - Francisco Livino, representante da Direc-Ibama, Marcos Pinheiro, coordenador da Expedição Juruena-Apuí, do WWF-Brasil, Cláudio C. Maretti, coordenador do Programa de Áreas Protegidas e Apoio ao Arpa, e Lúcio da Silva, cinegrafista - saíram antes da expedição para vir participar da reunião com o Conselho Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Apuí.

Não se pode dizer que a cidade de Apuí, como expressa pela voz do seu Conselho Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, tenha demonstrado apoio efusivo ao Parque Nacional Juruena. Ao contrário, mostraram preocupação principalmente com o destino das pessoas da comunidade da Barra de São Miguel e demais moradores ribeirinhos. Segundo eles, foi combinado consultar e discutir um destino para essa comunidade e outras, antes de avançar com a criação do parque nacional. Também levantaram o fato da criação de um assentamento agro-extrativista criado pelo Incra na região.

Entretanto, além de haver explicações e alternativas aos problemas colocados, essa postura não representou oposição à política ambiental. A comunidade da Barra de São Miguel, sua área de ocupação mais imediata, mas provavelmente não sua área de extrativismo, ficou fora do Parque Nacional Juruena. Essa comunidade, que foi importante pólo produtor e comercializador de borracha, hoje vive praticamente à base do garimpo no rio Teles Pires. A sede da comunidade fica ao lado da Reserva de Desenvolvimento Sustentável (estadual) do Bararati, parte do Mosaico de UCs do Apuí.

O presidente da Câmara Municipal, representante de associação de madeireiros, representante de ribeirinhos e outros fizeram questão de ressaltar que se sentem, pretendem continuar e querem ser reconhecidos como uma cidade modelo em termos de conservação ambiental e desenvolvimento sustentado.

Entretanto, colocaram duas limitações a esse seu interesse. Dizem que estão sendo invadidos por fazendeiros, tanto do Mato Grosso, como do Pará. Pediram mais atenção para o combate à grilagem, proteção às comunidades das ameaças dos grileiros, dar segurança para as atividades tradicionais dos ribeirinhos. Duas reivindicações de reservas extrativistas foram colocadas. Antonio Rozeno da Silva, representante dos ribeirinhos, com vínculo especial com as comunidades de Prainha, Padre Cícero, Salvaterra, Peão Tuba, Natal e Areal, todas no rio Aripuanã (a juzante da RDS estadual Aripuanã), reclama a atenção para a reivindicação da Reserva Extrativista do Rio Aripuanã, que já tem processo na Disam-Ibama, constando inclusive como passível de apoio do Arpa. Diz que haverá reunião com as comunidades e o Ibama em julho para esse fim.

Mas,com anos de espera, já começa a descrer. Isso, sobretudo, porque já há gente saindo da área. Creio que um estudo sociológico pode determinar quem é parte das comunidades interessadas, mesmo que tenham sido obrigado a abandonar a área pelos grileiros recentemente. Ele também denuncia que os grileiros têm entrado na área alegando apoio do Ibama para sua ação.

Outra área reclamada é a da comunidade do Sucunduri. Rosa Cotrim manifestou expectativa de que o Ibama (Disam) iniciará estudos e trabalhos brevemente, ainda em julho, para avaliar a possibilidade e interesse para criação da Reserva Extrativista do Rio Sucunduri, que já tem processo na Disam-Ibama, constando inclusive como passível de apoio do Arpa, também a juzante do Mosaico de UCs de Apuí.

Mas não é só isso que Apuí reclama. Os representantes da cidade reclamam mais atenção e agilidade para permitir a exploração florestal regular e sustentada. Querem também mais presença dos órgãos ambientais e apoio para recuperação florestal e educação ambiental.

A Expedição Juruena-Apuí reafirmou, em nome das instituições parceiras, o interesse de apoiar a implantação do Parque Nacional Juruena o mais rapidamente possível e, assim como já começou a acontecer com o Mosaico de UCs de Apuí, buscar uma gestão baseada em conhecimento científico e participação. Também reafirmou o interesse de que o plano de manejo do Parque Nacional Juruena não seja apenas voltado para dentro, mas também se preocupe em promover atividades sustentáveis no seu entorno. Declaramos também a possibilidade de apoio às reivindicações, se trabalharmos em parceria, inclusive quanto às demandas das comunidades locais para criação das reservas extravistas.

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