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Apreciadores, uni-vos: o atum está em perigo

OESP, Paladar, p. 5
30 de nov de 2006

Apreciadores, uni-vos: o atum está em perigo
Para salvar o bluefin, cotas mais baixas de pesca (e preços mais altos)

Os sashimis e sushis feitos com o melhor atum correm o risco de ficar cada vez mais caros e raros - e, num cenário mais catastrófico, podem até ser riscados dos cardápios. Tudo porque a espécie bluefin está seriamente ameaçada devido à pesca excessiva, de acordo com cientistas e ambientalistas.

O tema preocupa há décadas e tem até instituição própria, a Comissão Internacional pela Conservação dos Tunídeos do Atlântico (Cicta). Nos últimos dias, na Croácia, a cúpula da Cicta esteve reunida para discutir como preservar as reservas do peixe, apontadas como em estágio alarmante. E, no domingo passado, anunciou um pacote de medidas que tem como ponto-chave a redução das cotas de pesca do principais países consumidores, que buscam a espécie no Mediterrâneo e no Atlântico. Por exemplo: estipulou que em 2007 sejam pescadas 29,5 mil toneladas, contra as 32 mil atuais, e que esse número chegue a 25 mil até 2010. Já o tamanho mínimo de cada peixe passou de 10 kg para 30 kg.

O problema, dizem cientistas e ambientalistas como os do WWF e do Greenpeace, é que continua sendo pouco. Para eles, os limites não deveriam ir além das 15 mil toneladas, e que fossem seriamente fiscalizados - eles afirmam que, incluindo a pesca ilegal, os dígitos batem as 50 mil.

Maiores apreciadores mundiais, os japoneses têm reservas de 40 mil toneladas. Tamanha quantidade, para os apetites nipônicos, dá para dois anos sem pesca (justamente o prazo máximo que o produto suporta congelado). Por ora, o que se espera é uma diminuição gradual da oferta a curto e médio prazo, com alta de preços. Para que, no futuro, a carne gorda e sedosa do bluefin não vire verbete de história da gastronomia, tal qual o legendário pássaro dodô, que de tão caçado - por saboroso - sumiu do mapa das Ilhas Maurício.

OESP, 30/11/2006, Paladar, p. 5

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