Jornal do Commercio-Manaus-AM
Autor: Marco Dassori
01 de Set de 2003
A demora na aprovação dos projetos de isenção de 75% do IR (Imposto de Renda) das empresas do PIM (Pólo Industrial de Manaus), pela nova Sudam (Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia), preocupa industriais de Manaus, que temem a perda de concorrência de seus negócios frente ao mercado estrangeiro.
Sem o incentivo, argumentam os empresários, os custos com frete e a distância de mais de quatro mil quilômetros dos centros consumidores começam a ser sentidos. O resultado pode ser a fuga de empresas e o descrédito internacional da ZFM (Zona Franca de Manaus).
Desde a última reunião do Codel (Conselho Deliberativo), há mais de quatro anos, e com a posterior extinção da antiga Sudam, em 2001, até a sua recriação, no dia 21 de agosto, 608 projetos de implantação, modernização e diversificação de indústrias avolumam-se nas gavetas do órgão, principalmente da área de eletroeletrônicos.
A agência fornecia dois tipos de incentivos. Um deles era o financiamento a fundo perdido, para projetos de investimento fixo e de capital de giro. O outro era a isenção do IR sobre o lucro das empresas.
O economista e consultor José Laredo informa que 99% das indústrias do PIM optavam pela dispensa. Para o economista, à medida em que a empresa obtém lucro, o IR começa a pesar e incidir nos lucros. Os outros impostos pagos pelas indústrias são o II (Imposto de Importação), o IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) e o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços).
"O empresário que se instala aqui precisa saber com que recursos pode contar, para poder fechar as suas planilhas de custos e calcular os seus preços", informou o diretor-executivo do Cieam (Centro da Indústria do Estado do Amazonas), Ronaldo Mota ao dizer que o número de projetos aumenta a cada dia, já que continuam sendo apresentados na ADA (Agência de Desenvolvimento da Amazônia) e na inventariança da antiga superintendência.
Isenção
99% das empresas apresentavam projetos para obter a isenção do Imposto de Renda junto à Sudam, informa o consultor José Laredo.
Custos de R$ 1 mi por ano
O problema é mais grave para as empresas que tiveram projetos aprovados há mais de 10 anos - que precisariam de renovação - e para aquelas que se instalaram no PIM de 99 para cá.
O proprietário da Amazon PC Ltda., Arthur Azevedo, disse que a demora na aprovação dos três projetos da empresa - para fabricação de mouse, teclado e CPU - está custando R$ 1 milhão por ano. Instalada em Manaus desde 1997 e especializada em informática, a firma ainda não pode contar com instalações definitivas, sendo obrigada a funcionar em imóvel alugado. "O que perdemos realmente é competitividade, já que o frete do material de informática é caro, devido ao seu tamanho e peso, e acaba sendo mais barato produzir em São Paulo", lamentou.
A demora está levando à descapitalização dos empreendimentos locais.
O dono da Artek Indústria da Amazônia, Roberto Lavor, confessou que a demora na liberação do seu projeto já o fez pensar na possibilidade de procurar outro mercado. "Não pretendo sair da cidade, pois minha família é toda daqui, mas também não sei até quando", desabafou. A indústria, que fabrica luminárias e lâmpadas, funciona há dois anos na capital. Lavor informou que leva o dobro do tempo das empresas instaladas no sul do país para receber os insumos vindos do exterior.
As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.