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Após tornado, Taquarituba decreta calamidade e Alckmin promete ajuda

OESP, Metrópole, p. A11-A12
24 de Set de 2013

Após tornado, Taquarituba decreta calamidade e Alckmin promete ajuda

José Maria Tomazela
Enviado especial / TAQUARITUBA

O prefeito de Taquarituba, Miderson Milléo (PSDB), decretou estado de calamidade pública na cidade, atingida por um tornado no domingo, 22. O fenômeno, com ventos de até 150 km/h, segundo institutos de meteorologia, deixou dois mortos, 64 feridos e ao menos 150 casas danificadas. Mais de 300 pessoas estão desalojadas e 50, desabrigadas, segundo a Defesa Civil.
O governador Geraldo Alckmin (PSDB), que percorreu na tarde de segunda-feira, 23, as áreas mais atingidas, prometeu recursos financeiros para recuperar prédios públicos destruídos e linha de crédito para atender mais de 30 indústrias atingidas.
Pelo menos 80 postes caíram ou entortaram, deixando parte da cidade sem energia. O terminal rodoviário, uma escola, um entreposto agrícola e um centro esportivo foram destruídos. O fórum e uma unidade de saúde tiveram danos no telhado.
"A Defesa Civil já está aqui, prestando o auxílio mais imediato. Vamos dar apoio para reerguer os equipamentos públicos e apoiar no que for possível a reconstrução da cidade", disse o governador. O prefeito informou que o município precisa de pelo menos 30 dias para contabilizar os prejuízos.
O fenômeno rasgou a área urbana de Taquarituba de norte a sul. O mecânico Marcel Ribeiro dos Santos viu o cone branco se aproximando e o posto de combustível em que acabara de abastecer o carro ser levado pelos ares. "Na hora pensei na minha oficina. Perdi o prédio, máquinas e os carros dos clientes, um prejuízo de mais de R$ 120 mil." Pedro Moreira, de 67 anos, descreveu como um "ronco de turbina" o turbilhão que levou embora o telhado, móveis e paredes da casa. No ponto em que o cone de vento tocou o chão, eucaliptos gigantescos foram arrancados pela raiz. No distrito industrial, galpões e silos viraram montes de ferro retorcido.
Um grupo de rapazes jogava bola no centro esportivo que desabou e quase todos conseguiram se abrigar a tempo. Edson Matheus Pereira, de 21 anos, saiu do abrigo e foi atingido por uma viga. Em seu velório, ontem, familiares contavam que ele voltou para socorrer um menino de 10 anos, que tinha sido derrubado pelo vento. A outra vítima, Jamil Francisco da Silva Soares, de 54 anos, dirigia o ônibus da empresa Transfronteira que "decolou" do chão, caindo 30 metros adiante.
O vendaval não poupou casas de alto padrão na Avenida Capitão Eugênio Gabriel. O telhado da casa de Paulo Garbelotto, de 22 anos, foi arrancado e as paredes caíram em blocos.
Na segunda-feira, os moradores começavam a remoção de escombros, mas a chuva atrapalhava a retomada da rotina.

Em 26 anos, País teve 205 tornados; SP lidera
SP foi o Estado com maior número de casos e especialista destaca expansão urbana

Luciano Bottini Filho

Tornados são fenômenos imprevisíveis, mas no Brasil há mais risco de ocorrerem em São Paulo, Mato Grosso do Sul e Estados do Sul. São Paulo foi o Estado que mais registrou esse fenômeno entre 1985 e 2010. No período, foram 205 episódios no País, e há tendência de aumento na área urbanizada.
Para efeito de comparação, o Centro Nacional de Dados Climáticos dos Estados Unidos (país com maior número de casos) registra mais de mil tornados por ano. Em 2011, eles causaram 28,7 bilhões de dólares em prejuízo, além de mais de 550 mortes. Mas as comparações são difíceis, por causa das diferenças climáticas na formação dos fenômenos. Nos EUA, normalmente esses eventos passam dos 300 km/h - em São Paulo, se registrou esse valor em Itu, em setembro de 1991, com 15 mortes.
Segundo especialistas em meteorologia, o País não tem sistemas que registram tornados, mas se sabe que acontecem constantemente. A diferença é que hoje há mais relatos por celulares e câmeras. "Outras cidades próximas de Taquarituba, como Riversul, Coronel Macedo, Tejupá, Piraju e Itaí, certamente tiveram temporais e até tornado, mas não há como confirmar", diz a meteorologista da Climatempo Josélia Pegorim. Da mesma maneira, não há certeza sobre a velocidade do fenômeno. Como houve carros virados (veja quadro acima), ele pode ter passado de 150 km/h.
Pesquisador de tornados no Brasil, o geógrafo Daniel Henrique Candido fez um levantamento de três décadas para doutorado da Universidade de Campinas (Unicamp). Segundo ele, um fator que favorece os relatos em São Paulo é o fato de ser uma região mais povoada.
Apesar disso, o estudo deixa claro que em regiões como São José dos Campos e litoral norte existe probabilidade de mais de 25% de tornados por ano. No Estado, as ocorrências são mais comuns em maio. A cidade de Itupeva é a líder na probabilidade, com 36%. "O relevo plano, com baixa altimetria e próximo de um setor com elevado número de ocorrências, leva a esse número", diz o pesquisador.
Causa. Em Taquarituba, o relevo seria também propício a tornados. Segundo o Inmet, o evento resultou de raro choque entre a massa de ar quente amazônica e ar polar frio do Sul. "Ocorrências estão possivelmente vinculadas à expansão urbana, que faz aumentar a concentração de calor nas cidades", diz Candido.

OESP, 24/09/2013, Metrópole, p. A11-A12

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