VOLTAR

Após corte de salário, acaba greve de 2 meses no Ibama

OESP, Nacional, p. A7
14 de Jul de 2007

Após corte de salário, acaba greve de 2 meses no Ibama
Servidores dizem se manter em "estado de alerta" e podem voltar a parar

Vera Rosa, Brasília

Depois do corte de 17 dias de salário, determinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, os servidores do Ibama decidiram ontem, em várias assembléias, encerrar a greve de dois meses e retornar ao trabalho a partir de quarta-feira, quando começa o recesso parlamentar. A decisão foi tomada um dia depois da reunião do comando de greve com a direção do Ibama, que concordou em abrir negociações sobre reposição dos dias parados para os que retomarem suas atividades.

Em ofício enviado ontem aos representantes da categoria, o presidente do Ibama, Balizeu Alves Neto, também se comprometeu a revogar a Portaria 755, segundo a qual as ausências no serviço prejudicariam o pagamento das gratificações e a efetivação dos funcionários no período probatório de três anos. Os servidores, no entanto, ainda se declaram em "estado de alerta" e ameaçam cruzar os braços de novo no início de agosto, quando os parlamentares voltarem das férias, já que o objetivo do movimento é político.

Eles prometem continuar a pressão para derrubar a Medida Provisória 366, que dividiu o Ibama e criou o Instituto Chico Mendes. A MP já recebeu sinal verde da Câmara, mas ainda precisa passar pelo Senado. O ponto mais polêmico prevê que o novo instituto conceda licenças ambientais e cuide da fiscalização.

"Vamos suspender a greve a partir de quarta-feira porque o Congresso entrará em recesso e não tem sentido ficar paralisado sem fazer o trabalho de convencimento dos parlamentares", disse Jonas Corrêa, presidente da Associação Nacional dos Servidores do Ibama.

"Quando retornarmos ao trabalho mostraremos o que trava o Ibama: não é a nossa greve, mas essa política de desmonte do instituto, que vai se acentuar se a MP for aprovada." Deflagrada no dia 14 de maio, a paralisação começou a minguar no início deste mês, quando os servidores receberam os contracheques com o desconto dos dias parados. Dos 6,4 mil funcionários, mais da metade retornou ao trabalho. Permanecem em greve os funcionários do Incra - há 55 dias -, do Ministério da Cultura e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), além dos técnicos administrativos de 46 universidades federais.

Nem o governo sabe calcular o número de trabalhadores ainda parados no País, mas, segundo os sindicatos que reúnem essas categorias, continua na casa de 90 mil. A associação que representa os funcionários do Ibama conseguiu liminar na Justiça, dia 3, para garantir o recebimento integral dos salários. Agora, promete brigar para que o instituto reponha o que foi descontado dos salários.

Num discurso exaltado, há 19 dias, Lula disse que era preciso regulamentar a greve no serviço público porque "ninguém pode ficar 70 dias sem trabalhar e depois receber".

OESP, 14/07/2007, Nacional, p. A7

As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.