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Após água preta no Tietê, Salto retira peixes mortos de córrego

OESP, Metrópole, p. A23
30 de Nov de 2014

Após água preta no Tietê, Salto retira peixes mortos de córrego
Manta poluidora de 70 km atingiu cardumes na subida para a piracema; secretário diz que vai acionar Ministério Público

Chico Siqueira

A quantidade de peixes mortos pela manta de poluição que na quinta-feira deixou preta a água do Rio Tietê na região de Salto, no interior do Estado, revoltou moradores e autoridades, na manhã de ontem, quando teve início a operação de retirada dos peixes no Córrego do Ajudante.
"São toneladas e toneladas. Vamos ter de usar uma máquina retroescavadeira para retirar tantos peixes e usar um caminhão para transportá-los. É revoltante essa situação. Trata-se de um dano ambiental que não consigo mensurar. Mais uma vez, Salto paga pelos erros dos outros", desabafou o secretário do Meio Ambiente de Salto, João De Conti Neto.
Na sexta-feira, a estimativa das autoridades era de que entre 300 e 400 quilos de peixes fossem retirados do córrego. Mas, ao chegar ao local, na manhã de ontem, as equipes da prefeitura se surpreenderam com milhares de peixes mortos.
Época de piracema, os peixes, na maioria curimbas e bagres, subiam a correnteza quando se depararam com a manta poluidora - estimada pela SOS Mata Atlântica em 70 km de extensão. Para fugir, os cardumes entraram no Córrego do Ajudante, que é raso (cerca de 50 a 60 centímetros), e morreram asfixiados por falta de oxigênio.
A remoção dos peixes começou às 7 horas de ontem, mas não tem prazo para terminar. "Possivelmente, teremos de continuar no domingo", afirmou Conti Neto. O secretário disse que vai acionar o Ministério Público para que apure as responsabilidades pelo acidente ecológico.
Ele acredita ainda que mais peixes deverão aparecer mortos em outros municípios, uma vez que amanta poluidora está descendo o rio, no sentido do interior. A SOS Mata Atlântica já alertara, na sexta-feira, que o fenômeno era um "acidente de grandes proporções". De acordo com a coordenadora da entidade, Malu Ribeiro, a manta poluidora deveria chegar ainda na sexta-feira ao Reservatório de Barra Bonita, onde a carga tóxica se assentaria no fundo do rio.

OESP, 30/11/2014, Metrópole, p. A23

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