Diário de Cuiabá-Cuiabá-MT
Autor: DANIEL PETTENGILL
15 de Mai de 2003
Índios de cinco etnias do Norte do Estado, que ocuparam o escritório regional da Funai em Cuiabá por três dias, começaram a retornar ontem a região de Juína (720 quilômetros da capital).
Em protesto pelo fechamento do único núcleo da Funai no município, os índios, a maioria pertencentes a etnia Rikbaktsa, fecharam o prédio e chegaram a manter o administrador regional do órgão no local por todo esse período. Com a chegada de uma Portaria da administração central da Funai na noite de Quarta-feira, garantindo o funcionamento do núcleo, os índios decidiram encerrar a mobilização. O Núcleo de Assistência Indígena de Juína havia sido fechado no início do ano após um corte de 10% no orçamento da Funai. Os dois funcionários do órgão- o chefe e o seu auxiliar- serão mantidos no cargo e lotados de forma permanente no núcleo.
"Conseguimos que a nossa principal reivindicação fosse atendida e isso nos agradou. Mas ainda temos outras demandas por melhoria que vamos lutar para serem contempladas", afirmou o articulador dos Rikbaktsa junto a Funai, Paulo Henrique. Para Ariovaldo, os índios da região se sentiram desamparados com a notícia do fechamento do núcleo. Os índios utilizavam o órgão como meio de intermediar as suas necessidades e de dar suporte a busca por tratamento médico, por exemplo.
A maioria das etnias da região, segundo ele, não está acostumada a lidar com a produção e o gerenciamento próprio das suas atividades produtivas. "Eles devem ser instrumentalizados para saber como e quando produzir e vender na hora certa. Muitos poderiam conseguir seu sustento com a produção de castanha-do pará, por exemplo, mas ainda lhes falta a noção de mercado", analisa Ariovaldo. Sobre o período em que ficou em poder dos índios, Ariovaldo não demonstra qualquer tipo de trauma ou ressentimento "Eu já os conheço há muito tempo. Foi uma convivência pacífica e que em nenhum momento temi por qualquer coisa", garante.
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