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Após 72h, Sabesp conclui conserto de adutora

OESP, Metrópole, p. C5
10 de Fev de 2010

Após 72h, Sabesp conclui conserto de adutora
Fornecimento voltou de forma gradual; consumo nas áreas baixas atrasou retorno nas altas

Eduardo Reina

Cerca de 72 horas depois de interromper o fornecimento de água para mais de 750 mil pessoas em quatro cidades - São Paulo, Cotia, Taboão da Serra e Embu -, a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) terminou, às 14 horas de ontem, os reparos na adutora que rompeu no domingo. O problema aconteceu na esquina da Avenida Roque Petroni Júnior com a Chucri Zaidan, na zona sul. O abastecimento será restabelecido de forma gradual, segundo a companhia.

A Sabesp informou, em nota, que o serviço voltaria ao normal a partir das 17 horas de ontem, mas somente nas áreas mais baixas. Nas regiões mais altas, a água voltaria às torneiras durante a noite. O excesso de consumo nas residências das regiões baixas impedia a volta nas áreas altas, o que prolongou o martírio dos consumidores que permaneceram com as torneiras secas.

De acordo com o diretor metropolitano da Sabesp, Paulo Massato, ontem, ao fim dos reparos na adutora - localizada a 8 metros de profundidade e com 1 metro e meio de diâmetro, as bombas que levam a água para os locais mais altos não poderiam ser ligadas ao mesmo tempo por segurança.

Uma das áreas mais afetadas foi Paraisópolis, na zona sul, com 80 mil habitantes. A escassez fez o preço da água mineral disparar - o galão de 20 litros era vendido por R$ 27. Mesmo assim, não havia galões suficientes para todo mundo. José Luis, dono da quitanda que fica bem na frente de uma bica, disse que a falta de água tem diminuído a venda de frutas. "As pessoas só estão preocupadas em comprar água, não estão querendo comprar outras coisas."

Os moradores da favela dependiam da água da bica e de um poço artesiano desde quando houve o rompimento da adutora. A Sabesp enviou três caminhões-pipa na madrugada de ontem, mas eles não foram suficientes para suprir a necessidade da população. A moradora Miriam Lucas dos Santos passou a noite na fila da água do poço. Como carrega pouco peso, foi e voltou várias vezes para abastecer sua casa. Não havia outro jeito. "(A bica e o poço) foram a salvação durante esses dias", disse ela. Alguns moradores estavam bebendo essa água sem tratamento.

O porteiro Elias José da Silva, morador de Paraisópolis, trabalha num prédio de classe média na Avenida Giovanni Gronchi. Até segunda-feira, ele estava tomando banho no trabalho e levava garrafas de água para a mulher e a filha de oito meses. Mas ontem, o prédio também ficou sem água e ele precisou recorrer à bica na comunidade, onde filas com centenas de pessoas eram formadas havia dois dias pela população.

A Sabesp enviou ontem caminhões-pipa para vários hospitais da região, como o São Luís e o Albert Einstein, para algumas Assistências Médicas Ambulatoriais (AMAs) e até para o Palácio dos Bandeirantes.

Colaborou Mariana Lenharo

OESP, 10/02/2010, Metrópole, p. C5

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