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Aplicativo ajudará a mapear plantas raras no estado

O Globo, Rio, p. 17
19 de Abr de 2016

Aplicativo ajudará a mapear plantas raras no estado
Espécies sem registro há mais de cem anos foram redescobertas

O Instituto Estadual do Ambiente (Inea) e o Centro Nacional de Conservação da Flora (CNCFlora) pretendem lançar um aplicativo de celular para permitir que qualquer pessoa envie informações sobre a flora de regiões do Estado do Rio. A ação faz parte de uma nova fase do projeto Procura-se, que recentemente conseguiu registros de uma espécie de árvore considerada extinta, além de outras quatro plantas das quais não havia registros há mais de cem anos. Todas essas espécies são endêmicas, ou seja, encontradas apenas no Rio de Janeiro. Algumas têm, inclusive, propriedades medicinais. O lançamento do aplicativo deve ser feito em parceria com a Secretaria estadual do Ambiente.
- O objetivo é facilitar e popularizar esse tipo de informação. Possibilitar que as pessoas tenham acesso ao banco de dados com imagens das espécies e identifiquem determinada planta quando passarem por algum lugar. Isso faz as pessoas aumentarem sua consciência de conservação - conta o secretário do Ambiente, André Corrêa, que recebeu o Livro Vermelho da Flora no Brasil, um catálogo com plantas raras do cerrado.
O usuário do aplicativo - que também vai se chamar Procura-se - poderá tirar foto de uma espécie na mata e enviar para o CNCFlora com informações de localização, além de poder consultar o banco de dados para comparar espécies. O órgão vai analisar as contribuições e enviar equipes para identificação. O coordenador do CNCFlora, Gustavo Martinelli, destaca que a integração com pessoas que moram ou frequentam as áreas de parques pode facilitar a descoberta de novas espécies e de outras consideradas extintas, como a guarajuba, que foi encontrada ano passado no Jardim Botânico do Rio, como informou Ancelmo Gois em sua coluna no GLOBO. FORÇA-TAREFA O secretário André Corrêa apresentou também o inventário das espécies florestais que só existem no Rio de Janeiro e destacou que o estado tem uma das floras mais ricas do mundo, com pelo menos 904 plantas, dentre as quais 193 nascem em território fluminense.
- As pessoas que vivem em um lugar têm muito mais condições de encontrar espécies. Nós fizemos aqui um pequeno esforço e já redescobrimos várias plantas, então isso mostra que vale a pena - conta Martinelli.
Pesquisadores também encontraram recentemente, no Parque Estadual do Mendanha, no Rio, o cipó-de-santa-luzia, espécie muito usada para fins medicinais e que não tinha registros desde a década de 80, além de outras quatro espécies raras - que não eram coletadas por pesquisadores há mais de cem anos -, no Parque Estadual dos Três Picos, na Região Serrana. Depois de identificar as espécies, o próximo passo será implementar planos de ação para conservação e mapeamento da flora no estado.
- Nós vemos que não conhecemos bem nossa flora. Como cientistas, podemos passar as informações que pesquisamos para os tomadores de decisão, para que eles promovam ações de conservação - diz Caio Baez, pesquisador do CNCFlora.

O Globo, 19/04/2016, Rio, p. 17

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