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Apetite privado

O Globo, Opinião, p. 6
11 de Dez de 2007

Apetite privado

Com o leilão de concessão da futura usina de Santo António, no Rio Madeira, a poucos quilômetros do centro de Porto Velho, capital de Rondônia, o Brasil voltará a construir hidrelétricas de grande porte, necessárias para suprir a demanda de energia que resultará do crescimento econômico do país esperado nos próximos anos.
As hidrelétricas têm forte participação na matriz energética brasileira e o potencial ainda a explorar nessa área é enorme. No entanto, os maiores aproveitamentos estão agora situados na Amazônia e na Região Centro-Oeste, o que envolve a superação de desafios, seja para se transportar a energia aos centros consumidores, seja pela dificuldade para se compatibilizar projetos dessa dimensão com a preservação ambiental.
O Brasil acumulou conhecimento para transpor tais obstáculos, de modo que esses projetos podem ser também catalisadores de desenvolvimento sustentável, com preocupação de apoio a empreendimentos locais. Os estudos de impacto ambiental são fontes preciosas de informações para iniciativas preservacionistas durante a obra ou mesmo para recuperação da fauna e da flora na fase de operação das usinas.
E esse tipo de preocupação não se deve somente ao cumprimento da legislação. Para se evitar ocupação desordenada das margens das represas ou das barragens, que provocam assoreamento ou poluição ambiental
(ambos fatores de redução da capacidade de geração de energia das usinas), é preciso se fazer um monitoramento adequado antes, durante e depois da obra concluída.
A participação crescente do setor privado no segmento de geração de eletricidade é fundamental para que todos esses objetivos sejam cumpridos, com
o mais baixo custo possível.
0 leilão de concessão da primeira grande hidrelétrica do Rio Madeira mostrou o caminho a seguir, com vários grupos manifestando disposição para investir na geração. No ano que vem, a Aneel (agência reguladora do setor) vai promover o leilão da segunda grande usina (Jirau) no Madeira, e existe muita expectativa em relação a possíveis novas hidrelétricas em Tocantins e Xingu.

O Globo, 11/12/2007, Opinião, p. 6

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