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Apesar de bônus, 24% gastam mais água em SP

OESP, Metrópole, p. A14
01 de abr de 2014

Apesar de bônus, 24% gastam mais água em SP
Sabesp ampliou desconto em conta de quem economizar para aliviar Cantareira

Caio do Valle e Fabio Leite

Apesar do plano de bônus lançado há dois meses pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), 24% dos consumidores abastecidos pelo Sistema Cantareira na Grande São Paulo aumentaram o gasto com água em vez de reduzi-lo. O dado foi divulgado ontem pela empresa, que vai ampliar o programa que dá 30% de desconto na conta para quem diminuir o consumo de água em 20%
A partir de hoje, o bônus vale para os 31 municípios da Região Metropolitana que são atendidos pela Sabesp, incluindo a capital. São 17 milhões de clientes, ao todo. Antes, a medida estava restrita a 11 cidades e alguns bairros paulistanos abastecidos diretamente com água do Cantareira. Agora, as regras só não valem para os municípios com serviço próprio de abastecimento, como Guarulhos e Santo André. A informação foi antecipada pela edição de ontem do jornal Folhade S.Paulo.
Para o governador Geraldo
Alckmin (PSDB), a ampliação do bônus tem como objetivo reduzir o consumo dos Sistemas Guarapiranga e Alto Tietê, que hoje já abastecem cerca de 2 milhões de imóveis que antes da crise recebiam água do Cantareira, para aumentar o volume de água revertida.
"Isso ajuda muito porque, na medida em que nós tivermos uma redução, por exemplo, no Guarapiranga, poderemos abastecer mais água do Guarapiranga, substituindo o Cantareira. Na medida em que tivermos uma redução no Alto Tietê, podemos usar mais água do Alto Tietê para atender ao Cantareira", disse Alckmin. Ontem, o nível do Cantareira caiu para 13,4% da capacidade, o mais baixo da história.
A Sabesp, porém, reconheceu que a política de desconto tem alcance limitado. Segundo a companhia, apenas 37% dos consumidores atingiram a meta e ganharam o bônus de 30%. Outros 39%, segundo a empresa, economizaram água, mas não atingiram o patamar mínimo de 20%. O programa é válido até dezembro.
Na semana passada, o diretor metropolitano da Sabesp, Paulo Massato, já havia dito em audiência na Assembleia Legislativa que os clientes com padrão médio e alto não haviam aderido. Segundo ele, imóveis na zona norte foram os que mais economizaram água e o centro foia região que menos contribuiu.

Condomínio.
Ontem, a presidente da Sabesp, Dilma Pena, atribuiu o problema ao elevado número de condomínios que não têm medição de consumo individualizada. Ou seja, a conta é diluída entre os apartamentos. "As pessoas não têm um contato direto com a fatura. É uma explicação, mas não uma justificativa, porque todos sabem que estamos passando por um evento crítico inédito."
Segundo a Sabesp, já foi possível reduzir o consumo em 4,1 mil litros de água por segundo com a medida em dois meses. Com a ampliação do bônus, a meta é chegar a uma economia de 6 mil litros por segundo, o que equivale a mais de 518 milhões de litros de água por dia.

Seca em São Paulo já 'consumiu' 33 mil piscinas olímpicas
Desde criação de bônus, déficit do Cantareira é de 82,8 bilhões de litros; represas têm hoje 131,6 bilhões de litros

Fabio Leite - O Estado de S. Paulo

A seca mais severa da história, aliada ao consumo ainda elevado de água, deixou o Sistema Cantareira com déficit de 82,8 bilhões de litros nos últimos dois meses, quando começou a valer o plano de bônus lançado pelo governo Geraldo Alckmin (PSDB). O volume perdido é suficiente para encher cerca de 33 mil piscinas olímpicas.
Os dados constam do último relatório do comitê anticrise que monitora o principal manancial paulista, responsável pelo abastecimento de água de 47% da Grande São Paulo. Ontem, o Cantareira tinha 131,6 bilhões de litros restantes do chamado "volume útil", água represada acima do nível das comportas. O índice corresponde a 13,4% da capacidade.
O comitê, liderado por técnicos da Agência Nacional de Águas (ANA) e do Departamento de Água e Energia Elétrica (DAEE), estima que o volume do manancial deve zerar em meados de julho, conforme o Estado antecipou há duas semanas. Já a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) prevê o esgotamento do sistema no dia 21 de junho, no meio da Copa. A informação também foi revelada pelo Estado.
Diante da crise, a ANA e o DAEE liberaram para este mês de abril a captação das vazões mínimas das principais represas do Sistema Cantareira, formado por cinco reservatórios. Mesmo assim, tanto a Sabesp quanto as cidades da região de Campinas poderão retirar até 72 bilhões de litros do manancial neste mês.
Com o iminente esgotamento do "volume útil", o comitê deu prazo de 15 dias para a Sabesp apresentar o plano de captação de água do chamado "volume morto", que fica no fundo dos reservatórios, abaixo do nível das comportas.
Segundo a companhia, as obras necessárias para retirar até 196 bilhões de litros estarão concluídas entre maio e junho. A empresa informou que o volume é suficiente para quatro meses de abastecimento, que pode durar até outubro, início das chuvas.

Órgãos estadual e federal ignoram pedido do interior para liberar mais água
Comitê das Bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ) solicitou a liberação de 4 mil litros de água por segundo, mas obteve apenas 3 mil litros por segundo para o mês de abril

Ricardo Brandt - O Estado de S. Paulo

Os governos federal e estadual desconsideraram pedido aprovado nesta segunda-feira, 31, pelo Comitê das Bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ) de aumento do volume de água liberado para as cidades da região de Campinas, de onde é retirada a água do Sistema Cantareira. O órgão solicitou a liberação de 4 mil litros de água por segundo, mas obteve apenas 3 mil litros por segundo para o mês de abril.

Com isso, aumenta o risco de racionamento por causa do período de estiagem (que vai de abril até setembro). "Nos períodos de estiagem as cidades da bacia do PCJ necessitam de até 12 mil litros de água por segundo do Cantareira", afirmou Francisco Lahóz, secretário executivo do Consórcio da Bacia do PCJ.

Segundo nota conjunta divulgada ontem pela Agência Nacional de Águas (ANA) e pelo Departamento de Água e Energia Elétrica (DAEE), do Estado, a bacia do PCJ terá direito até no máximo 3 mil L/s e a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) pode retirar até 24,8 mil L/s.

A proposta da Câmara Técnica de Monitoramento Hidrológico (CT-MH), do Comitê PCJ, seria encaminhada para a ANA e para o DAEE. Mas os órgãos, antes mesmo de analisar o pedido, divulgaram o documento que estipulou os limites.

Dúvidas sobre o abastecimento

1 Quem pode ter desconto?

Moradores de São Paulo, Arujá, Barueri, Biritiba-Mirim, Caieiras, Cajamar, Carapicuíba, Cotia, Diadema, Embu, Embu-Guaçu, Ferraz de Vasconcelos, Francisco Morato, Franco da Rocha, Itapecerica da Serra, Itapevi, Itaquaquecetuba, Jandira, Mairiporã, Mogi das Cruzes, Osasco, Pirapora do Bom Jesus, Poá, Ribeirão Pires, Rio Grande da Serra, Salesópolis, Santana de Parnaíba, São Bernardo, Suzano, Taboão da Serra e Vargem Grande Paulista.

2. Isso evita o racionamento?

A curto prazo, sim. Só cidades que fazem captação própria ou que compram água da Sabesp podem sofrer racionamento porque a empresa reduziu o volume vendido no atacado.

OESP, 01/04/2014, Metrópole, p. A14

http://www.estadao.com.br/noticias/cidades,mesmo-com-bonus-da-sabesp-24…

http://www.estadao.com.br/noticias/cidades,seca-em-sao-paulo-ja-consumi…

http://www.estadao.com.br/noticias/cidades,orgaos-estadual-e-federal-ig…

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