O Globo, Sociedade, p. 41
13 de Dez de 2015
Apesar da celebração, especialistas fazem ressalvas ao teor do texto
Documento amplia oportunidades de negócios para o Brasil, mas a partir de readequações na indústria e na agricultura
Celebrado em todo o mundo, o acordo aprovado ao fim da COP-21 não ficou livre das críticas. Para o superintendente executivo de políticas públicas e relações externas da ONG WWF no Brasil, Henrique Lian, o valor de US$ 100 bilhões anuais a serem repassados das nações ricas para as mais pobres é insuficiente.
- Segundo análises do Programa de Meio Ambiente das Nações Unidas, o montante necessário para medidas de mitigação e adaptação deveriam ultrapassar trilhões - justifica. - O texto do acordo estende o financiamento de US$ 100 bilhões até 2025 e convida países a aumentarem este valor, mas ainda não fica claro quando alcançaremos estes limites e quem realmente arcará com os custos.
Além disso, segundo ele, o estabelecimento do limite de 1,5 grau Celsius para a elevação da temperatura por si só não assegura bons resultados, como salvar o Caribe.
- Sem a ação e a revisão efetiva das metas nacionais de todos os países, previstas no texto até 2020, ainda estamos indo para um caminho de 2,7 graus. Paris não é um fim e, sim, o começo - disse.
O relatório também não traz detalhes sobre como os países poderão agir para alcançar as metas do acordo. Neste caso, o empresário Roberto Silva Waack, integrante da Coalizão Brasil, Clima, Florestas e Agricultura, que participou do encontro, lembrou que isso ficou a cargo das metas voluntárias de contribuição (INDCs, na sigla em inglês) apresentadas por cada nação.
- Mas mesmo os INDCs não entram em detalhes. O mais importante no momento é a sinalização clara de compromissos com metas, transparência e financiamento - disse, mencionando o caso do Brasil: - O INDC brasileiro é ambicioso e voltado aos principais elementos competitivos do país relacionados ao uso da terra, ao agronegócio, às florestas e aos biocombustíveis. Os desafios da implementação do Código Florestal, da agricultura de baixo carbono, do retorno ao desenvolvimento da indústria de biocombustíveis e de alternativas energéticas limpas, estão dentro das capacidades tecnológicas e competitivas do Brasil. Sabemos o que e como fazer. Faltam aperfeiçoamentos, mas a base tecnológica é conhecida.
CONQUISTA DE NOVOS MERCADOS
Para o presidente da Sociedade Rural Brasileira, Gustavo Diniz Junqueira, o que foi negociado em Paris configura uma grande oportunidade para o setor agrário brasileiro, no que diz respeito à conquista de novos mercados. Mas o desafio é grande:
- Precisamos de investimento, melhor capacidade de gestão e integração dos objetivos de alimentar uma população mundial crescente e, ao mesmo tempo, implementar um novo modelo de produção sofisticado, que deverá necessariamente usar bem menos recursos.
O Globo, 13/12/2015, Sociedade, p. 41
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