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Antimary ganha selo verde este mês

Página 20-Rio Branco-AC
Autor: Andréa Zílio
13 de jul de 2005

Próxima retirada de madeira de plano de manejo da região promete sair com a garantia da FSC.

Com 66 mil, 168 hectares, localizada no centro-leste do Estado do Acre, na área de Bujari, a Floresta Estadual do Antimary, que virou referência no mundo pelo uso múltiplo sustentável dos recursos de sua mata, está bem próxima de ter seu valor ainda mais reconhecido com a certificação do selo verde da Forest Stewardship Council (FSC), que através da sua representante brasileira, a Imaflora, fará a última vistoria nesse dia 20 na reserva.

Com o êxito da primeira experiência do plano de manejo feito em 2 mil hectares da floresta, em que sete famílias da comunidade do Limoeiro participaram de todo o processo, ganhando de R$ 7 a 16 mil e ainda uma casa, a Fundação de Tecnologia do Estado do Acre (Funtac) junto a Secretária de Floresta (Sef) que coordenam os trabalhos na reserva, já agendam para esse ano, a exploração de 4 mil hectares.

Diferente do primeiro processo, em que empresas passaram por licitação e atuaram desde a retirada da madeira, nessa segunda etapa o próprio Estado é quem vai trabalhar no local e vender a madeira em lote, também em processo de licitação, para as empresas.

Com a visita da equipe da Imaflora, a expectativa é que a segunda remessa de madeira saia do Antimary com o selo verde. Antonio Dourado, coordenador de campo da Funtac diz que isso agregará ainda mais valor ao produto. "O selo verde é garantia de agregação de valor a madeira, porque é a prova de que ela não saiu de exploração predatória. O mercado europeu e asiático são os principais consumidores."

O coordenador diz ainda que junto ao planejamento de extração dessa segunda etapa que se estende até 2006, está sendo feito o planejamento para mais 4 mil hectares em 2007. Em todas essas fases, uma das prioridades é incluir a comunidade também no trabalho de retirada da madeira. "Algumas pessoas da comunidade estão aptas a atuar no trabalho de extração, operando, inclusive, com equipamento utilizado pelos técnicos. Durante a retirada da madeira obedecemos ao que eles querem que não entre no processo de corte."

Desmate inteligente

O plano de manejo possibilita a exploração da floresta de maneira que a reposição é feita pela própria natureza. Antonio explica que o planejamento garante que a área seja explorada sem depredação.

Com a identificação de todas as árvores que são derrubadas, é possível um plano de derrubada limitado, e segundo o coordenador, a legislação ambiental permite a derrubada de árvores de 40 metros de diâmetro, mas no Antimary são derrubadas as que têm acima de 60 metros. "Com planejamento o aproveitamento do que é derrubado é de 100%, e ainda permite respeitar a natureza para se refazer".

Floresta premiada

O projeto da Floresta Estadual do Antimary rende bons frutos e recebe visitantes de todo o mundo. A Fundação Getúlio Vargas (FGV), o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a Fundação Ford, o classificaram como um dos 20 melhores do país nas áreas de gestão pública e cidadania.

Segundo informações da primeira informação histórica sobre o levantamento da área, foi do Rio Antimary, que deságua no Rio Acre. Os dados são através da carta de Plácido de Castro, em 1907, sobre a navegação no local, que detalha os pontos geográficos de importância. Em 1987, a Funtac a oficializou como Floresta Estadual, e desde então os trabalhos no local agarraram o desafio de uma política de desenvolvimento sustentável.
(Andréa Zílio-Página 20-Rio Branco-AC-13/07/05)

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