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ANP vende apenas 30% dos blocos em licitação dominada pela Petrobrás

OESP, Economia, p. B1
29 de Nov de 2013

ANP vende apenas 30% dos blocos em licitação dominada pela Petrobrás
Foram arrematadas apenas 72 das 240 áreas de gás e petróleo; estatal ficou com 49, sozinha ou em consórcio

Apenas 72 dos 240 blocos de gás e petróleo colocados em leilão ontem no Rio pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) foram arrematados. Desse total, 49 ficaram com a estatal Petrobrás, sozinha ou em consórcio. A licitação rendeu R$ 165 milhões em bônus de assinatura, o que representa um ágio de 755,95% em relação ao preço mínimo dos blocos vendidos. Programada para durar até dois dias, a rodada levou pouco mais de três horas para ser concluída.

Apesar de só 30% dos blocos terem encontrado comprador, a ANP considerou o leilão "um sucesso. "Foi um resultado muito superior ao de diversas rodadas que já fizemos", disse a diretora-geral da agência, Magda Chambriard. Ela também minimizou o fato de que mais da metade dos blocos tenha ficado ; com a Petrobrás, e lembrou que a estatal foi a protagonista de todos os 12 leilões já realizados pela agência.

"Ficou muito claro que (a licitação) não ia ser muito competitiva quando apenas 21 empresas se habilitaram, mas não houve decepção", disse Giovani Loss, sócio do escritório de advocacia Mattos Filho, que estava representando as empresas GDF Suez e Alvopetro no leilão. Para analistas, por serem áreas em terra e por ter sido organizada em um curto período, essa i2.a rodada acabou não tendo o mesmo apelo das outras duas licitações realizadas neste ano.

Não houve protestos de entidades de classe, apesar das muitas críticas prévias à rodada sobre questões ambientais e regulatórias. A segurança foi feita por 28 homens do Batalhão de Choque e por policiais militares do batalhão do bairro onde foi realizado o leilão - um contraste em relação aos 1.100 homens fortemente equipados da Força Nacional que fizeram a segurança do leilão do pré-sal no mês passado, no mesmo hotel da zona oeste do Rio.

As empresas se comprometeram com um investimento mínimo de R$503 milhões, num prazo de cinco a oito anos. O maior lance do certame foi feito pela Petrobrás por um bloco na Bacia do Recôncavo, pelo qual pagou R$ 15,2 milhões.

O papel da Petrobrás na rodada tinha ainda mais importância por se tratar de blocos em terra, sendo cerca da metade considerada "novas fronteiras", o que requer um perfil ; "desbravador" da estatal. "Queremos fazer uma semeadura, criar uma nova cultura do gás77, disse Magda.
Ela destacou as ofertas de blocos nas bacias de Paraná, Acre e Parnaíba entre os sucessos da licitação. A Bacia do Paraná, que não recebeu nenhuma oferta na 10ª. rodada da ANP, dessa vez teve arrematados 16 de seus 19 blocos ofertados. No Acre, na Região Amazônica, houve um bloco arrematado pela Petrobrás. Embora seja apenas um, Magda comemorou o fato de que será retomada a exploração nesta região do Norte,interrompida há muitos anos.

No Parnaíba, Magda disse que houve uma continuidade importante dos programas de exploração já em andamento. Ao todo, os 240 blocos se distribuíam em sete bacias. Duas não ; receberam nenhuma proposta: São Francisco e Parecis.

Foi o primeiro leilão realizado no Brasil com destaque para recursos não convencionais de i gás ou óleo de folhelho ("shalegas" e "shale oil"). As três bacias com maior potencial para apresentar esses recursos (Recôncavo, Sergipe-Alagoas e São Francisco) tiveram 54 blocos arrematados. No entanto,boa parte das empresas estava atrás de recursos convencionais, incluindo petróleo.

OESP, 29/11/2013, Economia, p. B1

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