CB, Brasil, p.16
19 de Nov de 2003
Animais e plantas correm perigo
Brasil está entre os países com maior número de espécies da fauna e flora ameaçados de extinção. Lista divulgada pela União Mundial para a Conservação da Natureza traz 12.259 exemplares em risco no plane
A extinção é uma ameaça para 12.259 espécies de animais e plantas de todo o planeta e se transformou em realidade em 762 casos. Outras 58 espécies de fauna e flora estão no limiar, consideradas extintas na natureza, mas com alguns exemplares mantidos em cativeiro ou em cultivos. Brasil e Indonésia figuram entre os países com maior número de espécies ameaçadas de extinção, tanto na fauna como na flora. Os números são da União Mundial para a Conservação da Natureza (IUCN), que divulgou ontem a atualização da sua lista vermelha de espécies ameaçadas.
Desde a edição da lista de 2002, mais de 2 mil espécies foram acrescentadas. E a situação de 380 espécies ou subespécies foi revista. Sete mil pesquisadores e conservacionistas elaboram continuamente inventários e revisões das espécies para subsidiar a lista, que já é grande demais para ser publicada e encontra-se disponível num banco de dados on-line (veja endereço abaixo).
Uma análise detalhada das localidades onde as espécies mais
ameaçadas ocorrem e dos principais fatores que influenciam seu declínio está em curso e deve ser apresentada dentro de um ano, no congresso mundial da IUCN, em Bangcoc. Mas os países onde as maiores perdas vêm ocorrendo já são conhecidos e o Brasil está entre eles.
Ao lado da Indonésia, Índia, China e Peru, o Brasil apresenta o maior número de aves e mamíferos ameaçados. E junto com o Equador, Malásia, Indonésia e Sri Lanka, está entre os que mais rapidamente perde plantas. Segundo a lista, o Brasil tem 1.062 espécies de animais e plantas ameaçados de extinção.
Cidade cresce, sagüi some
Entre os animais, a extinção está mais próxima de pelo menos três espécies de primatas, cujo status piorou no último ano. O pequeno sagüi bicolor (Saguinus bicolor), nativo da região de Manaus, no estado do Amazonas, encontra-se ameaçado pela perda de habitat para a cidade e expansão da zona rural.
O guariba negro do México (Alouatta pigra), já perdeu 56% de sua área original de distribuição e deve enfrentar um declínio de 70% em sua população nos próximos 30 anos. E o macaco-aranha da Venezuela e Colômbia (Ateles hybridus) está em risco extremo de extinção.
A única boa notícia do reino dos primatas é a recuperação do mico-leão-dourado, graças a 30 anos de esforços conservacionistas: a espécie (Leontopithecus rosalia) mudou da categoria ''criticamente ameaçado'' para ''ameaçado''.
Tubarões e raias na mira
Outro destaque da lista de 2003 é a avaliação de diversas espécies marinhas, incluindo 175 tubarões e raias, dos quais 57 espécies e 19 estoques são considerados ameaçados. Para os peixes, existe também esta classificação de estoques, relacionada à disponibilidade para a pesca comercial.
Os avanços tecnológicos da pesca em águas profundas é apontado, no relatório da IUCN, como um dos fatores de pressão sobre as espécies marinhas. Não só para as espécies visadas pelos pescadores, mas também devido à captura acidental, principal ameaça, por exemplo, às seis espécies de albatroz cuja posição na lista foi revista, para pior.
O albatroz de sobrancelha negra (Thalassarche melanophrys), que está entre os mais afetados pela captura acidental em longas linhas de pesca de espera (espinhel), freqüenta as águas brasileiras, na região sul. Na mesma região, mas em águas doces, vive a espécie de boto conhecida como franciscana (Pontoporia blainvillei), que acaba de entrar na lista como vulnerável. A população do Rio Grande do Sul e Uruguai declinou mais de 30% desde os anos 60, também devido à captura acidental - sobretudo em redes de pesca -, além de sofrer com a poluição química e perda de presas (peixes dos quais se alimenta).
Ilhas sofrem com invasores
A proliferação de espécies invasoras - que infestam sobretudo os ambientes das ilhas, onde o equilíbrio é mais frágil - é um dos fatores que mais preocupam a Comissão de Sobrevivência das Espécies (SSC), responsável pela edição da lista. No Havaí, por exemplo, a extinção de polinizadores nativos já impede a renovação natural da vegetação.
A perda de habitats por causa da expansão de atividades humanas e a pressão direta sobre algumas espécies - por caça, coleta ou envenenamento por pesticidas e/ou poluentes - também contribuem para a situação crítica em que se encontram os animais e plantas silvestres.
''Embora estejamos apenas arranhando a superfície do conhecimento sobre todas as espécies conhecidas, confiamos que a lista é um indicador do que está acontecendo com a diversidade biológica global'', diz Achim Steiner, diretor geral da IUCN.
Redescoberta 100 anos depois
Em 2003, os especialistas avaliaram o estado de todas as espécies de plantas cicadáceas e coníferas, incluindo a nova espécie - Xanthocyparis vietnamensis - descoberta no Vietnã, em 2001, e uma outra Thuja sutchuenensis, redescoberta na China em 1999, cem anos depois do último registro.
O estado das cicadáceas é considerado o mais frágil de todos os grupos de plantas. Embora algumas espécies - as cicas usadas como ornamentais - sejam amplamente cultivadas em jardins, 155 das 303 espécies avaliadas estão em situação crítica e pelo menos duas já foram extintas.
As algas marinhas e líquens foram inventariadas pela primeira vez e uma espécie entrou direto para a lista de extintas: a alga de Benett (Vanvoorstia bennettiana), de New South Wales, na Austrália, cientificamente registrada pela última vez há 100 anos.
Também em 100 anos, o líquen de feltro boreal (Erioderma pedicellatum) declinou a ponto de ser considerado extinto na Noruega e Suécia. Sobrevive apenas no Canadá. E o líquen de rena perfurado (Cladonia perforata) da Flórida, nos EUA, está em situação crítica por ocorrer em área restrita, ameaçada pela ocupação humana, furacões e incêndios.
PLUGADO
Para ver a lista completa, acesse o site da União Mundial para a Conservação da Natureza (IUCN) - www.iucnredlist.org
CB, 19/11/2003, Brasil, p. 16
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