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Analista do ICMBio participa de curso promovido no Japão

ICMBio - www.icmbio.gov.br
Autor: Sandra Tavares
06 de Nov de 2009

Um mergulho em como fazer planejamento e construir sistemas de informação em biodiversidade. Essa foi a experiência do oceanógrafo, mestre em Biologia Animal e analista ambiental do Instituto Chico Mendes Rafael Almeida Magris, durante sua estadia no Japão entre os dias 18 de agosto e 10 de outubro participando do curso "Biodiversity Information System" (Sistema de Informação em Biodiversidade).

Promovido pelo Biodiversity Center of Japan - Centro de Biodiversidade do Japão - (Biodic) do Ministério de Meio Ambiente do Japão e pela ONG Japan Wildlife Research Center - Centro de Pesquisa em Animais e Plantas Selvagens do Japão (JWRC), o curso teve como objetivos contribuir para o planejamento e a construção efetiva de sistemas de informação em biodiversidade por meio do treinamento de participantes.

"Eles possuem um sistema integrado de informação chamado J-IBIS que gerencia e armazena toda a informação em biodiversidade realizada nos levantamentos que o Ministério do Meio Ambiente tem conduzido há mais de 30 anos. Com esse sistema você pode ter acesso, por exemplo, aos mapas de distribuição de todas as espécies que ocorrem no território japonês. Estes levantamentos incluem informações sobre a diversidade genética, de espécies e ecossistêmica. Algo realmente inovador", destaca Magris.

O foco da qualificação foi o de aumentar o conhecimento profissional dos participantes em técnicas de coleta de dados, gestão e disseminação da informação em biodiversidade. O evento contou com apoio financeiro e logístico da Agência de Cooperação Internacional do Japão (Jica).

"Como participantes, tivemos vários módulos de treinamento tais como: política de conservação da biodiversidade no Japão, metodologias de coleta de dados em levantamentos de campo, banco de dados, sistema de informação geográfica, disseminação de dados de biodiversidade pela internet e webdesign, e formulação e apresentação de um plano de ação", explica Magris.

Na última semana do curso, os participantes apresentaram para toda equipe da Jica, Biodic e JWRC os planos de ação propostos e os respectivos protótipos de site. "No meu caso específico foi proposto um sistema de informação sobre biodiversidade marinha com uma série de objetivos específicos", detalha o analista.

Entre esses objetivos do sistema de informação proposto, estavam: prover o ICMBio de um sistema de informação como parte das estratégias da Política Nacional de Biodiversidade; juntar uma série de informações sobre o ambiente marinho que estão dispersas em uma quantidade considerável de instituições e dentro do próprio ICMBio; facilitar o processo de expansão das unidades de conservação marinhas; além de dar suporte aos tomadores de decisão (gestores das unidades, centros, coordenadores na sede), permitindo que eles tenham acesso a uma informação de fácil acesso e confiável.

As propostas apresentadas serão analisadas. Após os devidos ajustes, elas serão enviadas à Jica até dezembro deste ano. A partir de 2010, os projetos selecionados passarão a receber o apoio financeiro do governo japonês. "Foi, sem dúvida, a experiência profissional mais marcante vivida por mim até o momento, pois além de conviver com pessoas de diferentes realidades, pude aprender sobre como são tratadas as questões relacionadas à conservação da biodiversidade em diferentes países e aprender novas ferramentas de trabalho", explica Magris.

Um ponto de destaque do curso, segundo o analista, foi conhecer a estrutura e a percepção dos japoneses sobre as unidades de conservação, além da possibilidade de se firmar cooperações para o desenvolvimento de projetos.

"No Japão o sistema de unidades de conservação é mais simplificado, com menos categorias de UCs. No governo federal de lá, por exemplo, só existem os parque nacionais, locais de grande beleza cênica,os chamados quase-parques nacionais, que não possuem atributos paisagísticos tão relevantes quanto os parques nacionais, e as áreas de conservação da natureza, com menor potencial de visitação. Estas últimas categorias ainda podem permitirem que pessoas habitem em seu interior", frisa o analista.

Segundo Magris a preocupação dos japoneses é aliar a conservação com o uso público. As áreas protegidas se mantém conservadas, com os recursos biológicos e paisagísticos sendo utilizados de forma monitorada. "É um sistema mais flexível. Eles seguem o modelo americano de gestão de unidades de conservação. As áreas protegidas são muito bem estruturadas, permitindo o fácil acesso a pessoas de qualquer idade", destaca o analista.

E o sistema é tão moderno que constantemente é revisto. "É dinâmico, a cada cinco anos são realizados estudos nas áreas protegidas para manter, por exemplo, os parques nacionais neste status ou para reclassificá-los como quase-parques ou até mesmo retirar a titulação deles de área protegida, adequando à realidade", frisa o analista.

Um dos projetos conhecidos no curso - chamado "Monitoring 1000 sites" - de 100 anos de duração, permitiu que o governo japonês selecionasse um pouco mais de 1000 locais representativos de diferentes ecossistemas, entre subtropicais, temperados e até subpolares do país, que serão monitorados quanto a alterações ambientais de longo prazo. A primeira etapa do projeto, já concluída, foi definir os protocolos de monitoramento de componentes da biodiversidade, que estão sendo monitorados desde 2003, com previsão de término apenas em 2103.

Os parques japoneses contam ainda com um sistema de câmeras de alto custo espalhadas por todas as áreas protegidas com a finalidade de educação ambiental. O público em geral pode acessar as imagens em tempo real, via internet, o que gera a divulgação das paisagens dos parques, verificação das condições meteorológicas, ou até mesmo observação de algum animal. "As câmeras ficam localizadas em pontos fixos, pré-definidos e estratégicos, tais como locais de grande fluxo de animais ou locais que permitem uma visão panorâmica no interior de um parque", destaca Magris.

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