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ANA deve vetar novo tamanho do Cantareira

OESP, Metrópole, p. A13
22 de Fev de 2016

ANA deve vetar novo tamanho do Cantareira
Sabesp quer inclusão em definitivo do 'volume morto' à capacidade do sistema

Fabio Leite

O presidente da Agência Nacional de Águas (ANA), Vicente Andreu, afirmou ser contra a inclusão definitiva do volume morto na capacidade do Sistema Cantareira, defendida pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), e que já estudava cancelar a autorização que permitiu o uso emergencial da reserva profunda entre 2014 e 2015.
Em entrevista publicada ontem pelo Estado, o presidente da Sabesp, Jerson Kelman, afirmou que as duas cotas do volume morto (água que fica abaixo do nível dos túneis de captação) devem ser incorporadas definitivamente ao sistema, o que ampliaria a capacidade do Cantareira em 29,3%. "Não há nenhuma razão para você considerar o tamanho do seu reservatório menor do que na prática você pode usar", disse.
"Qualquer regra de operação de um reservatório deve ser feita para gerar segurança hídrica. Não pode estar vinculada a interesses comerciais e financeiros de usuários, como a Sabesp", disse Andreu. "Você ganha um cheque especial, precisa entrar nele e até paga um preço caro por isso, mas consegue sair. Agora, quer incorporá-lo ao seu patrimônio. Não faz sentido."
Segundo Andreu, essa proposta já foi descartada em 2015 em discussão com o Departamento de Águas e Energia Elétrica de São Paulo (DAEE), órgão regulador estadual. Ele afirma que a utilização do volume morto, que durou 19 meses, decorre de autorização extraordinária que deve ser cancelada quando todos os reservatórios atingirem o nível mínimo de 20% do volume normal - o pior deles tem 14,8%. "Um novo acesso do volume morto dependerá de novas regras", disse Andreu.
A inclusão do volume morto no sistema poderia ajudar a Sabesp a manter os limites pré-crise de retirada de água do sistema na renovação da outorga do Cantareira, adiada para maio de 2017, e até evitar restrição na captação no caso de uma nova seca. Hoje, a Sabesp retira do manancial 19 mil litros por segundo. Antes da crise eram até 33 mil l/s. Na conta defendida por Kelman, o Cantareira tinha ontem 38,3% da capacidade. Sem a reserva, tinha 20,2%.

'GATOS' COMEÇAM A SUMIR EM OCUPAÇÃO
Sabesp leva rede de água para áreas irregulares

As mangueiras das ligações clandestinas que abasteceram centenas de famílias nas duas últimas décadas ainda contornam as vielas da comunidade Pégasus, em Embudas Artes, Grande São Paulo. Mas a água que a moradora Natália dos Reis, de 31 anos, usa para cuidar dos quatro filhos, agora, chega pelo cano aterrado e sai mais limpa da torneira.
A ocupação irregular onde ela vive há quase um ano é a primeira a receber a rede de abastecimento da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) em um programa recém lançado para reduzir as perdas de água por causa dos chamados "gatos". A meta é regularizar o fornecimento de água de 120 mil casas erguidas em áreas públicas que não sejam de proteção ambiental até 2017, 30% do total de domicílios nessa situação na região metropolitana.
"A gente pegava água direto da mangueira na rua com galão e quase sempre vinha quente. As crianças ficavam com muita diarreia. Isso quando não faltava água e elas tinham desidratação", contou Natália, que mora em uma das 1.141 casas conectadas à tubulação da Sabesp entre novembro de 2015 e este mês.
Segundo a Sabesp, desde então, 17 milhões de litros de água potável deixaram de ser desperdiçados por meio de furos e rompimento das mangueiras improvisadas. Ao término da ofensiva, que deve beneficiar 400 mil pessoas, a meta é economizar até 2,5 bilhões de litros por mês, volume suficiente para atender uma cidade do porte de Piracicaba, no interior paulista.
"A principal vantagem para a Sabesp é a diminuição das perdas. Deixamos de produzir água potável para virar vazamento. Para a comunidade, além de isentar o chefe de família de ficar trocando tubo aos domingos, você dá cidadania às pessoas, uma vez que a conta de água se torna um comprovante de endereço que eles não tinham", diz o presidente da Sabesp, Jerson Kelman.
Natália conta que foi só após receber a primeira conta, neste mês, que conseguiu matricular os filhos na escola municipal. "Era como se a gente não existisse antes. Era difícil até ser atendido no posto de saúde porque eles pediam um comprovante de residência", conta a cozinheira, que paga a tarifa social - R$ 7,00 para quem consome até 10 mil litros por mês-66%mais barata do que a tarifa básica.
Para ela, agora "só falta o esgoto". Kelman explica que negocia a instalação dessa rede com as prefeituras, que precisam fazer a reurbanização das áreas para que a infraestrutura subterrânea possa ser executada. / F.L.

OESP, 22/02/2016, Metrópole, p. A13

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