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Americano dá receita para salvar mananciais: compra

OESP, Metrópole, p. C8
21 de Mar de 2006

Americano dá receita para salvar mananciais: compra
Consultor diz que governo em Nova York adquiriu áreas apenas para garantir que seriam preservadas

Marisa Folgato

Quando, nos anos 90, a região metropolitana de Nova York enfrentou um dos piores momentos da poluição dos mananciais, foi preciso tomar uma decisão: investir bilhões de dólares com novas instalações de tratamento e para buscar água cada vez mais longe ou desenvolver um plano ambicioso, muito mais barato, que começava com a compra, pelo governo, de mais de 320 milhões de metros quadrados em áreas ambientalmente sensíveis para preservação. "Trabalhamos ainda com os agricultores, as comunidades desfavorecidas, corrigimos vazamentos na rede e até mudamos os banheiros da cidade", contou, ontem, Al Appleton, ex-gerente do Serviço de Água e Esgoto de Nova York, que desenvolveu o programa.

Resultado: "Salvamos a qualidade da água da bacia toda", disse o consultor internacional, durante palestra, ontem, no Centro Universitário do Senac, Campus Santo Amaro. E ele acha que muito pode ser feito pelos mananciais da Grande São Paulo, após visitar as Represas Billings e Guarapiranga.

"Há muita possibilidade de recuperação se encontrarem maneiras de conter a ocupação, proteger os reservatórios e seu entorno e eliminar fontes de poluição que chegam às represas", afirmou Appleton. Um detalhe: aqui a maioria das áreas é pública e foi invadida.

Appleton mostrou preocupação ao saber que o trecho sul do Rodoanel vai cruzar as duas represas. "Terá efeito negativo na questão ambiental." Segundo ele, a promessa de que haverá acesso restrito é complicada. "É difícil controlar, há muita pressão. Além disso, as três únicas saídas previstas nesse trecho podem virar, sozinhas, indutoras de ocupação. E aí vêm as estradas secundárias que vão passar pelas áreas de mananciais."

Appleton afirmou que, na bacia hidrográfica de Nova York, sempre se teve muito cuidado para não permitir a expansão de estradas. "Até se alargamos uma já existente facilita o desenvolvimento numa área que precisa ser preservada. Por isso o governo deve ser rigoroso."

No plano para recuperar a bacia americana, que busca água nas montanhas, a até 240 quilômetros de distância para abastecer NY, foi preciso um acordo com os agricultores. "Eles usavam fertilizantes demais e maquinário e as terras sofriam com erosão, comprometendo a qualidade da água." Eles prometeram reduzir 85% da poluição agrícola em cinco anos. "Chegaram a 93%."

Para as comunidades locais, que foram para os mananciais por falta de recursos, foi oferecido um plano de desenvolvimento sustentável, com silvicultura, ecoturismo, vigilância e recuperação ambiental, que criou empregos locais.

Houve ainda debate com Marussia Whately, diretora do Instituto Socioambiental, Sérgio Valentim, do Centro de Vigilância Sanitária, e Vidal Serrano Nunes Júnior, do Ministério Público Estadual. Marussia lembrou que há 1,6 milhão de pessoas morando em áreas de mananciais de São Paulo.

OESP, Metrópole, 21/03/2006, p. C8

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