O Globo, Economia, p. 32
15 de Jul de 2012
América Latina cresceu, mas poluiu mais desde a Rio 92, informa a Cepal
Em 20 anos, parcela da população pobre na região caiu de 48% para 30%
Henrique Gomes Batista
henrique.batista@oglobo.com.br
Um estudo da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal, órgão ligado à ONU) mostra que a evolução na direção do desenvolvimento sustentável do continente desde a Rio 92 não é tão positivo. Embora a economia da região tenha crescido, reduzindo o percentual da população que vive na pobreza de 48% do total para 30%, essa evolução nem sempre foi sustentável. Segundo o estudo "A Sustentabilidade do Desenvolvimento 20 Anos Após a Conferência para a Terra", a participação da região na emissão mundial de gases do efeito estufa, excluindo as emissões por mudanças de uso do solo, passou de 7%, em 1990, para 8% em 2005. O estudo mostra ainda que a região ainda sofre muito com desmatamento e falta de saneamento básico.
Mas, levando em conta as emissões decorrentes de alterações do uso do solo, contudo, a região perdeu participação no total de emissões de gases do efeito estufa, caindo de 13% do total mundial em 1992 para 12% no último levantamento, de 2005. Outro dado ambiental positivo é que, se na época da Rio 92, 9,7% da área do continente era de proteção ambiental, agora este percentual está em 20,3%.
Segundo o estudo da Cepal, a redução da pobreza na região é nítida. A proporção de pessoas no continente que vivem em favelas caiu de 34%, na época da Rio 92, para 24% em 2011.
Outra preocupação é a "reprimarização" da economia da região, cada vez mais dependente da exportação de commodities (produtos básicos com cotação mundial, com minério de ferro, soja e petróleo), e a falta de investimento em tecnologia. Essa situação pode ampliar o debate ambiental, pois grande parte da produção agropecuária da região cresceu com desmatamento e com redução de biodiversidade.
'Commodities' podem favorecer a inovação
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A secretária-executiva da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), Alicia Bárcena, apresentou alguns dados preocupantes sobre a região, que mostram que o desenvolvimento não é sustentável - e não apenas do ponto de vista ambiental: na última década, a América Latina e o Caribe registraram 2,9 mil patentes, contra 60 mil da Coreia do Sul e 250 mil do Sudeste Asiático. Como os países da região investem pouco em tecnologia e estão muito dependentes das exportações de commodities , estes avanços sociais podem facilmente ser revertidos.
Ela diz que a região pode, sim, se beneficiar das exportações de commodites para crescer de forma sustentável. E acredita que, mesmo com a crise global, a região ainda aproveitará por um bom tempo os preços elevados da matéria-prima.
Enrique Garcia, presidente do Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF, sediado em Caracas), acredita que a busca por novas tecnologias é essencial para um crescimento sustentável da região. Mas, os países da região ainda precisam passar por uma revolução cultural para garantir o bom crescimento:
- Ninguém duvida que os investimentos em infraestrutura ajudam, mas os projetos ainda são antiquados. Só após estarem prontos, pensa-se nos impactos ambientais. (H.G.B..)
O Globo, 15/07/2012, Economia, p. 32
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