CB, Brasil, p. 13
08 de Jun de 2005
As ameaças continuam
No aniversário de 74 anos de Dorothy Stang, militantes protestam na Esplanada e denunciam que religiosos estão marcados para morrer
Ullisses Campbell
Da equipe do Correio
Quatro meses depois de assassinarem a missionária norte-americana Dorothy Stang, no município de Anapu (PA), os pistoleiros que atuam no Pará continuam ameaçando de morte os líderes religiosos que combatem a grilagem de terra e a devastação da Amazônia. Ontem, o padre José Amaro de Souza, 38 anos, denunciou na Procuradoria Geral da República e à Secretaria Especial de Direitos Humanos que ele e a missionária Jane Dwyer, 65 anos, recebem pelo menos uma ameaça de morte a cada semana. Jane pertence à congregação Irmãs de Notre Dame, a mesma de Dorothy.
Padre Amaro e irmã Jane lideraram ontem uma caminhada com cerca de 250 colonos e militantes do Greenpeace pela Esplanada dos Ministérios para lembrar que irmã Dorothy completaria 74 anos de idade, caso estivesse viva. Sob o sol das onze da manhã, os manifestantes deitaram-se na Praça dos Três Poderes para lembrar que a religiosa, numa das vezes em que veio a Brasília apresentar uma pauta de reivindicação, teve de dormir num prédio público à espera de atendimento.
Os manifestantes, que fizeram uma passeata pacata e silenciosa (não usaram carro de som), também aproveitaram a visita a Brasília para entregar ao presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministro Edson Vidigal, um abaixo-assinado contendo 14 mil assinaturas. Eles querem que os acusados pela execução da religiosa sejam julgados na Justiça Federal. As assinaturas foram colhidas durante a Marcha Nacional pela Reforma Agrária.
O documento também foi entregue ao relator do pedido de federalização do caso no STJ, ministro Arnaldo Esteves Lima. Na sessão de hoje, os ministros decidirão se o caso continua na Justiça do Pará ou se será encaminhado para a esfera federal. "A Polícia Civil não tem competência para investigar o caso. A Justiça do estado também não é o fórum ideal para julgar esse crime", ressalta o advogado Darci Frigo, da organização não-governamental Terra de Direitos.
Como parte da manifestação, o Greenpeace protocolou no Palácio do Planalto um documento pedindo que o governo federal mantenha no sul do Pará as tropas do Exército que foram enviadas logo depois do assassinato da missionária. "Nós queremos que a presença do governo federal seja constante naquela região, e não apenas quando acontecem crimes como esse", disse o coordenador de Áreas Protegidas do Greenpeace, Carlos Rittl.
Uma outra bandeira levantada pela organização internacional defende que seja estabelecida a paz na floresta. "Além de ameaçada de devastação constante, a Amazônia é palco de crimes bárbaros, seja de pessoas que disputam a terra ou defendem a preservação do meio ambiente", diz Rittl. A ONG fez ainda um alerta ao governo para a área de influência da BR-163 (Cuiabá-Santarém), que será asfaltada ainda neste ano, por conta da migração excessiva e do choque entre colonos e grileiros.
Quatro pessoas estão presas, acusadas de assassinar a missionária norte-americana. O fazendeiro Vitalmiro Bastos Moura, o Bida, é apontado como mandante do crime. Amair Feijoli da Cunha, o Tato, é acusado de ter contratado dois pistoleiros: Rayfran das Neves Sales, o Fogoió, e Clodoaldo Carlos Batista, o Eduardo, ambos presos.
CB, 08/06/2005, Brasil, p. 13
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