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As ameaças à água de 9 milhões de moradores

O Globo, Rio, p. 22
05 de Mar de 2006

As ameaças à água de 9 milhões de moradores
Sistema Guandu está cercado por pontos de despejo de rejeitos industriais, esgoto não tratado e areais irregulares

A água de beber dos moradores do Grande Rio brota no meio do caos ambiental. O sistema Guandu - que capta, trata e distribui a água para nove milhões de moradores da Região Metropolitana - está cercado por rejeitos industriais, esgoto não tratado e areais em condições irregulares. A constatação foi feita pelo deputado estadual Carlos Minc (PT), presidente da Comissão de Meio Ambiente da Assembléia Legislativa do Rio, durante um recente vôo na região.
Rejeitos são lançados a 400 metros da captação de água
Minc lamenta que os rejeitos do pólo industrial de Queimados desemboquem perto da estação de água que abastece o Rio. Segundo a Cedae, a distância entre o local onde são despejados os resíduos industriais e a captação de água é de apenas 400 metros.
- Mesmo que não sejam empresas altamente poluidoras, em nenhum lugar do mundo deixariam despejar os efluentes em cima da captação. É um quadro grave, sobretudo pela possibilidade sempre existente de acidente - disse o deputado.
Os efluentes chegam pelo Rio dos Poços e desembocam no Rio Guandu. A Cedae tem um projeto, apresentado pela primeira vez em 1976, de desvio do Rio dos Poços para a jusante (sentido em que correm as águas) da estação de tratamento de água. Segundo o superintendente do Guandu-Lameirão, Edes Fernandes de Oliveira, o órgão pediu uma instrução à Feema para avaliar as condições de realização da obra:
- O problema da proximidade com os efluentes industriais é antigo, assim como o projeto. Assim que a instrução técnica ficar pronta, levaremos o projeto adiante. A transposição é uma questão estratégica para a Cedae. Reduziríamos o custo com produtos químicos no tratamento de água em 15%.
O gasto seria menor ainda se não fossem os areais que assoreiam o rio, levantando material particulado em suspensão nas águas. Segundo a Comissão de Meio Ambiente da Alerj, durante a última vistoria foram constatados quatro areais ilegais e dez com documentos em dia. Dos empreendimentos regulares, no entanto, alguns deles não cumpriram a obrigação de recuperar áreas degradadas.
- Muitos utilizam a área e depois a descartam, sem qualquer controle - diz Minc.
O tratamento de água ainda sofre com o esgoto doméstico lançado por diversos municípios da Baixada Fluminense no Rio Guandu. A Cedae informa estar realizando um projeto para o saneamento da região, mas diz que o trabalho só terá efeito se os municípios investirem em urbanização.

O Globo, 05/03/2006, Rio, p. 22

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