OESP, Vida, p. A22
11 de Out de 2009
Ambiente é a nova bandeira de famosos
Visibilidade de celebridades faz com que campanha alcance mais pessoas
Afra Balazina
"The time has come" (o tempo chegou), diz a letra da canção Beds Are Burning, da banda australiana Midnight Oil. A música que originalmente tem a voz do cantor e atual ministro do Meio Ambiente da Austrália, Peter Garrett, agora é cantada por 60 celebridades - entre elas as cantoras Lily Allen e Fergie e os grupos Scorpions e Duran Duran. O objetivo é pedir ações urgentes no combate ao aquecimento global.
A iniciativa revela que o envolvimento de famosos em campanhas do clima começa a crescer globalmente. Mas há outros exemplos. Nas fotos da abertura da reunião do clima da Organização das Nações Unidas (ONU) realizada em Nova York neste mês, notou-se rapidamente um estranho no ninho: o ator australiano Hugh Jackman, conhecido pelo papel de Wolverine, ao lado do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, e do ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair.
O ator mexicano Gael García Bernal também rouba a cena em um vídeo da campanha TckTckTck, em que as pessoas simulam o ponteiro de um relógio - em alusão ao pouco tempo que resta para agir contra o aquecimento global. A conferência do clima da ONU em que será fechado o acordo com as novas metas de redução de emissão de gases-estufa ocorre em menos de dois meses, em Copenhague.
A top model gaúcha Gisele Bündchen também se engajou no tema ao se tornar, no fim do mês passado, em uma cerimônia em Nova York, embaixadora da boa-vontade pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma).
No Brasil, a tendência de engajamento de famosos na questão climática também é observada. A campanha TckTckTck ganhou versão em português, a TicTacTicTac, e conseguiu apoio de celebridades como o ator Cauã Reymond, o vocalista da banda Detonautas, Tico Santa Cruz, e o skatista Bob Burnquist. Segundo Aron Belinky, coordenador executivo da campanha no Brasil, a ideia não é depender só de celebridades para passar uma mensagem, mas abranger pessoas de todos os tipos. "Nossa preocupação é não ser uma campanha de um grupo só, não ser uma coisa só para iniciados ou para os manifestantes de sempre." A campanha tem integrantes de ONGs, sindicatos e grupos religiosos, entre outros.
Mas foi Tico Santa Cruz, convidado pela ONG Avaaz, o responsável por colher a assinatura do ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, para o manifesto do TicTacTicTac. "Nós entendemos que seria de suma importância o comprometimento não só do ministro, mas de todo o governo Lula. Aquele abaixo-assinado tem pontos fundamentais negligenciados pelas grandes potências e até mesmo pelo Brasil", afirma Tico.
Basicamente, o documento diz que "ainda é tempo de evitar o pior, mas é preciso agir imediatamente". O manifesto pede, por exemplo, que os países desenvolvidos reduzam suas emissões de gases de efeito estufa, que provocam o aquecimento global, em pelo menos 45% até 2020, frente aos níveis de 1990.
Para Santa Cruz, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que foi a Copenhague fazer lobby para ter a Olimpíada no Brasil em 2016, deveria também estar na mesma cidade durante a Convenção do Clima da ONU, em dezembro. "Pressionaremos para que o presidente participe e se comprometa. Não é uma questão de esperança, é uma questão de atitude, de compromisso real com algo que precisa ser uma prioridade política."
Reymond está otimista de que o acordo será fechado em Copenhague. É lá que os países devem entrar em consenso para definir as metas de redução das emissões de gases-estufa para o segundo período do Protocolo de Kyoto (o primeiro se encerra em 2012). Foi a primeira vez que ele se engajou em um movimento ambiental "grande". E vê com naturalidade o envolvimento de artistas nas mobilizações em prol do ambiente: "Acho que figuras públicas têm essa obrigação", afirma.
Para Santa Cruz, os famosos são importantes para chamar a atenção dos fãs para uma causa, mas não resolvem o problema sozinhos. "Sem dúvida nenhuma sempre será importante a colaboração de quem tem visibilidade. Contudo, para atingirmos mais do que só os fãs desses artistas, precisamos de um comprometimento global sério por parte das celebridades, ambientalistas, empresários e todos os seres humanos."
OESP, 11/10/2009, Vida, p. A22
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