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Ambiente e destruído pelo consumo desenfreado

OESP, Vida, p. A24
23 de out de 2004

Ambiente e destruído pelo consumo desenfreado

Evandro Fadel
Curitiba

O professor de Estudos Ambientais da Universidade Brandeis, de Massachusetts (EUA), Dan Perlman fez um apelo durante o 4.' Congresso Brasileiro de Unidades de Conservação, em Curitiba, para que os países ricos diminuam seu padrão de consumo, permitindo que nações mais pobres tenham melhor qualidade de vida, sem perdas para o ambiente. "O mundo não suporta esse padrão de consumo", afirmou.
Segundo ele, a população mundial ideal deveria ser de até 2 bilhões de. pessoas para manter bom estilo de vida e uma natureza intacta. Os dados de Perlman mostram que em 1804 o mundo tinha 1 bilhão de habitantes, subindo para 2 bilhões em 1927. Levou mais 33 anos para chegar a 3 bilhões. E, nos 40 anos seguintes, dobrou para 6 bilhões.
De acordo com o professor, no mundo há 156 pessoas a mais a cada minuto. Para garantir conforto a elas, recursos naturais são destruídos. "Se for preciso mais comida, consegue-se. Mas não se vai conseguir ao mesmo tempo comida, combustível, energia..."
Em razão disso, Perlman apresentou o conceito da "pegada ecológica", a conversão de hábitos de consumo e estilo de vida em hectares de terra fértil necessários para manter o padrão de vida. Haveria a disponibilidade de 1,8 hectare em média para cada pessoa. No entanto, em razão da grande utilização dos benefícios da modernidade e também por necessitar de muito mais energia no inverno rigoroso, cada americano estaria ocupando 9,6 hectares.
De outro lado, um indiano, que vive mais no campo e em país quente, estaria ocupando apenas 0,8 hectare. No caso do Brasil, Perlman calcula que o espaço que cada pessoa estaria utilizando seria de 2,4 hectares. Mas ele não é tão otimista em relação à alteração desse perfil mundial. "O mais difícil é mudar a cultura", afirmou o professor. "Nos EUA, as pessoas vêem como um direito ter dois carros e consumir muita energia."

OESP, 23/10/2004, Vida, p. A24

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