Amazônia - www.amazonia.org.br
Autor: Thais Iervolino
09 de Jun de 2010
"É muito difícil mudar a cadeia produtiva sozinha. Precisamos de uma transformação de mercado", disse Jan Kees Vis, diretor de Cadeia de Suprimentos Global para Agricultura Sustentável da Unilever, durante o lançamento do 2 Questionário para a realização do estudo Forest Footprint Disclosure (FFD), que tem como objetivo ajudar as empresas a entenderem seus impactos ambientais e como isso afeta o seu valor de mercado.
O evento, realizado ontem (8), em São Paulo, contou também com a presença de Roberto Smeraldi, diretor da ONG Amigos da Terra - Amazônia Brasileira, Andrew Mitchell e Tracey Campbell, ambos do FFD, José Luciano Penido, da Fibria e Freddie Woolfe, da Hermes Equity Ownership Services.
Organizado pelo Global Canopy Programme, o FFD pretende mostrar os impactos às florestas causados por companhias de todo o mundo, ou seja, dar informações à sociedade sobre a pegada florestal dessas empresas. "A transparência da cadeia é fundamental à sustentabilidade dos negócios, e o FFD nos ajuda a entender essa transparência", explicou Vis.
O estudo avalia os setores da produção de óleo de palma, soja, carne bovina e couro, madeira e biocombustíveis. A iniciativa tem ainda o intuito de estimular as boas práticas ligadas ao uso da floresta e auxilia os clientes a repensarem seus negócios para uma política de baixo carbono. "Queremos reduzir a pegada florestal global insustentável. Só pedimos para que as empresas se envolvam. Quando elas agem de forma sustentável, recebem um reconhecimento da sociedade", falou Tracey Campbell.
"Na área comercial há cada vez mais uma preocupação com a reputação da empresa. Os consumidores já não compram produtos que não sejam sustentáveis. Por isso, uma melhor transparência sobre a pegada florestal é melhor para todos. O investidor precisa saber o risco a longo prazo da empresa que desmata", afirmou Freddie Woolfe.
Metodologia
Por meio de uma solicitação de divulgação, as companhias são convidadas a informar como administram sua exposição aos riscos operacionais e de imagem ligados ao desmatamento. Os dados são analisados e incluídos em um relatório anual de acesso público, e informações adicionais são enviadas para as instituições financeiras que endossam o projeto. "Quando recebemos os questionários respondidos, vamos até as empresas para conversar e essas respostas são úteis para elas também", conta Tracey.
O primeiro relatório, apresentado em fevereiro deste ano, cobrou informações de 217 empresas internacionais, cujas atividades tenham alguma relação com os tipos de commodities avaliados. Desse número, 35 empresas responderam à solicitação e divulgaram seus impactos à floresta, entre elas: British Airways, BMW, L'Oréal, Adidas, Nike e Unilever. Outras 25 empresas se recusaram a divulgar informações, como foi o caso de Johnson & Johnson, Toyota e McDonald's.
"Essas empresas que resolveram divulgar a informação são líderes que abrem uma nova fase na relação com a sociedade", disse Smeraldi na ocasião do lançamento da primeira edição do estudo.
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