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Autor: Rui Martins
08 de Jan de 2012
O tema é mais que atual - índios, queimadas, progresso predador, colonização das culturas primitivas - justamente em Berlim, onde estão os mais ardorosos defensores da ecologia e do ambientalismo. Sucesso garantido para Xingu, no Festival de Berlim.
Embora o Festival de Berlim não tenha ainda divulgado todos os filmes participantes, não se sabendo ainda se haverá filme brasileiro na competição internacional, a presença de Xingu já está confirmada.
Cao Hamburger estará, em fevereiro, em Berlim, selecionado para a mostra Panorama do Festival Internacional de Cinema, com Xingu, uma homenagem aos irmãos Villas Boas e sua luta pela criação do Parque Nacional do Xingu.
Hamburguer para quem não se lembra, foi o criador do Castelo Rá-Tim-Bum, sucesso na TV Cultura de São Paulo, e diretor do filme O ano em que meus pais saíram de férias, lançado em 2006 e considerado um dos melhores filmes daquele ano no Brasil e que se insere na retomada da memória brasileira, nestes últimos tempos, sobre a época da ditadura militar.
Ao tratar desta vez dos indígenas, Cao Hamburguer exerce um olhar crítico sobre a maneira colonizadora da política indianista e sobre as consequências do progresso e sua ação predadora. O Parque do Xingu completou 50 anos de existência e impediu que os índios ali protegidos tivessem sido dizimados pela civilização. Os irmãos Villas Boas entraram na floresta e fizeram seu primeiro contato com os índios, em 1940, e assumiram, junto ao governo Getúlio Vargas que pretendia colonizar a região, a defesa dos silvícolas.
De acordo com Cao Hamburger, na estréia do filme, em Manaus, no ano passado, se repete a mesma situação de ameaça à cultura índia com as queimadas e Belo Monte.
Rui Martins, de Genebra, que estará do 9 ao 19 no Festival de Cinema de Berlim, como convidado.
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