OESP, Cidades, p. C4
14 de Set de 2008
Ambientalistas alertam para destruição ambiental e para o risco de enchentes
A instalação do terceiro terminal em Cumbica, próximo da Bacia do Rio Baquirivu-Guaçú, e a conseqüente ampliação da área impermeabilizada do aeroporto de Guarulhos em 138.574 metros quadrados, aumenta os riscos de inundação em bairros vizinhos, segundo o parecer técnico do Departamento de Avaliação de Impacto Ambiental (Daia) da Secretaria de Estado do Meio Ambiente.
Como medida preventiva, o Estado determinou que a Infraero construa, até o fim de março do próximo ano, um canal de escoamento de águas pluviais destinado a controlar as enchentes no Jardim Presidente Dutra, vizinho de Cumbica. O parecer cita ainda outros impactos. "As obras pretendidas envolvem supressão de vegetação, limpeza de terrenos, terraplenagem, troca de solos, exploração de jazidas, utilização de locais para bota-fora, rebaixamento de lençol freático e abertura de caminhos de serviço, além das construções civis e pavimentação", diz o parecer sobre a ampliação do complexo.
"Se não forem promovidas as medidas mitigadoras para os riscos de enchentes e para o aumento no consumo de água, a licença de instalação não será emitida", alerta a diretora do Daia, Ana Cristina Costa. Para a implementação das instalações hoje existentes no aeroporto, os afluentes da margem esquerda do Baquirivu-Guaçu foram reunidos em um único canal, numa extensão de 420 metros.
Especialistas consideram que a mudança no curso do rio ocorrida após a abertura do aeroporto é a principal causa das enchentes em Guarulhos. Agora, a construção do terceiro terminal "demandará a execução de aterros" sujeitos a recalque por adensamento ao longo do tempo, segundo o parecer. "Por isso que todo o solo onde ficará o terceiro terminal será trocado por um terreno mais firme", argumenta Ana Cristina Queiroz, coordenadora de Meio Ambiente de Cumbica.
O levantamento deu base ainda a outra determinação que a Infraero terá de cumprir: a criação de programas para o controle de aves, como urubus, para evitar o risco de colisões com aviões. "O aumento do ruído nos bairros vizinhos, com o acréscimo de vôos, também é outro fator que pesa. Não deixa de ser um problema ambiental grave. E a nova impermeabilização acaba transferindo para os bairros vizinhos o problema das enchentes. Acho que o estudo de impacto ambiental deveria ser aprofundado", afirma Carlos Bocuhy, presidente do Instituto Brasileiro de Proteção Ambiental. D.Z. e B.T.
OESP, 14/09/2008, Cidades, p. C4
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