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AmBev quer economizar mais água

GM, Meio Ambiente, p. A7
20 de Jul de 2004

AmBev quer economizar mais água

Andréa Vialli

São Paulo, 20 de Julho de 2004 - Três fábricas já consomem menos que a média mundial; meta é ultrapassar o padrão de referência. A Companhia de Bebidas das Américas (AmBev) inova com sua política de recursos hídricos e ultrapassa o padrão de referência (benchmark) mundial de consumo de água por produção de bebida, que é de 4 litros de água por litro (4,0 l/l) de bebida produzido. As unidades industriais de Curitiba (PR) e Juatuba (MG) já consomem 2,99 litros de água por litro de bebida produzido, e a fábrica em Brasília, 3,3 l/l. Nos últimos três anos, foram R$ 160 milhões investidos em projeto e controle ambiental, o que vem assegurando melhorias contínuas no processo produtivo.

No primeiro trimestre deste ano, a média de consumo das unidades foi de 4,57 l/l, e a meta da empresa até o final do ano é chegar a 4,5 l/l. "Nosso desafio é alcançar ainda 4,4 l/l em todas as unidades, e estamos trabalhando nesse sentido. O bom desempenho no primeiro trimestre já é um bom indício de que conseguiremos", afirma Beatriz Oliveira, gerente de Meio Ambiente da AmBev.

O setor de produção de bebidas, em especial a indústria cervejeira, é tradicionalmente conhecido como grande consumidor de recursos hídricos. Há dez anos, o índice de consumo era de 10 litros de água para cada litro de bebida produzido. Hoje, com a política de consumo mais racional da água, a economia anual é da ordem de 9 milhões de m³. Só na filial de Juatuba, a redução no índice de consumo obtida nos últimos cinco anos significou uma economia de 1,4 milhão de m³, o equivalente a R$ 210 mil a menos na conta de água.

As 33 unidades de produção de bebidas da empresa têm capacidade instalada para produzir 186,4 milhões de hectolitros/ano, sendo 98,3 milhões para cerveja e 42,8 milhões para refrigerantes. O índice de consumo varia conforme a fábrica, devido ao mix de produtos e às tecnologias implantadas. As unidades que trabalham com garrafas retornáveis em geral consomem mais água, devido às lavagens sucessivas. Parte da água das últimas lavagens são usadas para limpeza de engradados.

As diretrizes básicas de gestão ambiental da AmBev foram lançadas em 1997, com investimento de R$ 200 mil para implantar a política. "Até 1996, o controle ambiental limitava-se a cumprir a legislação. Hoje, a melhoria é contínua", explica Beatriz. Todas as fábricas seguem uma cartilha com os "mandamentos da água", que incluem práticas como a instalação de medidores nas diferentes etapas do processo produtivo, estabelecimento de metas por setor de produção, padronização de procedimentos operacionais, reuso de efluentes tratados e incentivo a projetos de funcionários que contribuam para a redução do consumo.

Exemplos desses projetos já são verificados nas filiais de Juatuba, Jaguariúna (SP) e Sapucaia do Sul (RS). Em Juatuba foi implantado um projeto de captação e reaproveitamento da água da chuva desenvolvido por funcionários. Em Jaguariúna, dois operadores da estação de tratamento de efluentes desenvolveram um recipiente para aproveitamento dos efluentes tratados. O dispositivo, semelhante a um carrinho de mão, permite a utilização da água para limpeza de pisos e ruas da fábrica. A iniciativa reduziu o uso de água tratada para limpeza de áreas não produtivas em 15 m³ mensais. Já em Sapucaia, o efluente passa por pós-tratamento após sair da estação e é utilizado em sanitários, na lavagem de áreas externas e em torres de resfriamento.

Receita extra

Embora o uso racional da água seja a principal diretriz ambiental da empresa, o reaproveitamento dos resíduos dos processos industriais gerou uma receita extra de R$ 30,5 milhões em 2003. O bagaço de malte, resíduo da fabricação de cerveja, é utilizado na composição da dieta do gado leiteiro e na piscicultura. A AmBev produz o suficiente para alimentar 720 mil cabeças de gado por ano, ou seja, um rebanho capaz de produzir o equivalente a pelo menos três milhões de litros de leite por dia. Parcerias firmadas com entidades de pesquisa e fomento agropecuário vêm desenvolvendo outras aplicações para o bagaço como, por exemplo, a utilização como fonte de nutrientes na criação de tambaquis.

Outro subproduto que gera renda é a chamada polpa dos rótulos, massa de papel que resulta da lavagem das garrafas retornáveis, que é prensada e vendida a cooperativas de catadores. O lodo resultante das estações de tratamento de efluentes também é reaproveitado: é transformado em composto orgânico e vendido a produtores rurais no entorno das fábricas.

GM, 20/07/2004, Meio Ambiente, p. A7

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