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Amazônia: uma triste história em números

O Globo, Economia Verde, p. 24
Autor: VIEIRA, Agostinho
03 de mai de 2012

Amazônia: uma triste história em números

Há mais de duas décadas, todos os anos, o Inpe divulga os dados sobre o desmatamento na Amazônia. O trabalho começou em 1988 e desde então já tivemos índices alarmantes, como os 29 mil km² registrados em 1995 e os 27 mil km² de 2004. A partir daí os números vêm caindo e fechamos 2011 ainda com absurdos 6,2 mil km² de destruição. Mas o que aconteceu com toda essa área devastada? Por que a floresta foi posta abaixo?
Um trabalho conjunto feito pelo Inpe e pela Embrapa, concluído no fim de 2011, traz algumas respostas bem interessantes. Em primeiro lugar, até 2008 foram desmatados mais de 719 mil km², uma área maior do que toda a Região Sul do país. Quase 18% da Floresta Amazônica já foram destruídos.
Certamente estamos usando toda essa terra para produzir alimentos? Negativo. Mais de 60% do espaço são ocupados pela produção ineficiente de gado. São 447 mil km² de pastos.
Esse dado derruba uma das principais teses da bancada ruralista na discussão do Código Florestal. A de que falta espaço para plantar.
Apenas 35 mil km², cerca de 5% de tudo que foi derrubado, são usados para a agricultura. A estratégia é: primeiro derruba, depois vê o que dá para fazer. A prova disso é que foram identificados 150 mil km² de áreas desmatadas que estão "num processo avançado de regeneração como floresta". São três estados do Rio inteiros de floresta secundária.
Resumindo: tanto quanto ter um Código Florestal decente, precisamos de uma Política Agrícola e Ambiental inteligente. Não dá para aceitar uma cabeça de gado por hectare enquanto a depauperada Argentina tem três.
Terras férteis devem sim ser usadas para plantar. Mas o resto precisa ser preservado, pois os serviços ambientais são fundamentais para a nossa sobrevivência. Em lugar do slogan "Veta Dilma", que tal um "Gerencia Dilma" ou mesmo um "Governa Dilma"?

O Globo, 03/05/2012, Economia Verde, p. 24

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