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Amazônia reivindica maior participação em verbas de pesquisa

GM, Rede Gazeta do Brasil, p. B13
13 de Ago de 2004

Amazônia reivindica maior participação em verbas de pesquisa

Em congresso no Pará, pesquisadores discutem discriminação da região e pedem conscientização sobre temas ambientais. A Amazônia recebe apenas 2% dos recursos destinados pelo governo federal à Ciência e Tecnologia, apesar do enorme potencial de conhecimento que a região representa para esse setor e de gerar em torno de 8% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. "Sem base de conhecimento, a Amazônia sempre será relegada a um plano inferior no que diz respeito ao processo de desenvolvimento", afirma Cláudio Ribeiro, secretário adjunto de Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente do Pará.
Ele citou como exemplo desse tratamento o fato de Minas Gerais ter mais universidades federais que o conjunto dos estados que compõem a região amazônica. "Isso não foi fruto do acaso. O fato é que aqui a baixa produção de conhecimento, de pesquisas, afeta a qualidade de vida e a economia", acrescenta.
Esse é apenas um dos assuntos tratados durante o III Congresso Nacional de Engenharia Mecânica, realizado em Belém. Segundo seus organizadores, o evento procura discutir questões gerais, além das acadêmicas, como a discriminação na distribuição de recursos para a região Norte, a poluição ambiental e fornecimento de energia para comunidades isoladas.
O professor Carlos Maneschy, coordenador do congresso, informa que muitas discussões levantadas pelos cerca de 700 trabalhos inscritos interessam a profissionais ligados a áreas como Física, Geologia, Química, Engenharia Química, Mecatrônica, entre outras. Cláudio Ribeiro disse ainda que, os fundos setoriais, criados em 2001 para dar mais incentivo à C&T, não estão destinando os 30% determinados em Lei Federal para as regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.
Sem investimentos satisfatórios, ele diz que alguns estados se tornaram parceiros no financiamento de C&T, deixando para trás a idéia de que essa deva ser uma preocupação exclusiva do governo federal. No Pará, por exemplo, foi criado em 1995 o Fundo Estadual de Ciência e Tecnologia (Funtec), que recebe 0,4% da receita líquida do estado e tem por finalidade apoiar o financiamento de programas e projetos de pesquisa e de qualificação de recursos humanos de relevância para o desenvolvimento científico e tecnológico.
Ao falar sobre a poluição ambiental, o professor Augusto Brasil, do Departamento de Hidráulica e Saneamento, da Universidade Federal do Pará (UFPA), disse que a população tem um comportamento nada exemplar quando se refere aos cuidados com o ambiente. "Sempre que se fala em meio ambiente, refere-se especificamente ao problema ambiental. Mas o que nunca se considera é que no seio do problema ambiental está a nossa postura enquanto sociedade. Somos nós, povo, que causamos o problema ambiental."
A questão da poluição ambiental na Amazônia é assustadora porque, segundo ele, "vivemos em uma sociedade em que poucos se preocupam com a quantidade de água consumida."

GM, 13-15/08/2004, Rede Gazeta do Brasil, p. B13

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