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Amazônia preservada, um feito dos brasileiros

OSEP, Espaço Aberto, p. A2
Autor: SILVA, Fernando Azevedo e
28 de set de 2019

Do plantio ao risco diplomático
Protecionismo comercial e meio ambiente são riscos para as exportações, mas Jair Bolsonaro e alguns ministros parecem dar pouca ou nenhuma importância a isso

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo
11 de outubro de 2019 | 03h00

Mais uma colheita recorde, estimada em 245,81 milhões de toneladas de grãos, está sendo preparada, segundo a primeira sondagem de plantio da safra 2019/20. Se confirmada, a produção será 1,6% maior que a da temporada anterior, de acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O aumento decorrerá principalmente da cultura da soja, com volume previsto de 120,39 milhões de toneladas, 4,7% superior ao da safra 2018/19. Esse é o principal produto de exportação do agronegócio brasileiro, um item fundamental para o sucesso do comércio exterior.

O volume exportado de soja em grãos deverá passar de 70 milhõesde toneladas para 72 milhões de toneladas, de acordo com as contas da Conab. Também se espera expansão das vendas externas de dois derivados, o farelo e o óleo. Mas há sinais de perigo no mercado internacional.

Há pressões no exterior contra a importação de produtos do agronegócio brasileiro, como carnes, couro e soja. Além de grupos ambientalistas, grupos industriais, comerciais e de investimento têm ameaçado bloquear compras de produtos do Brasil por causa das queimadas na Amazônia e - sobretudo - das palavras e atitudes do presidente Jair Bolsonaro e de seus ministros.

A França deixará de ratificar o acordo comercial entre União Europeia e Mercosul, enquanto se mantiverem as "condições atuais", disse nesta semana a ministra francesa do Meio Ambiente, Elisabeth Borne, repetindo as críticas feitas pelo presidente Emmanuel Macron. Em setembro, com a mesma justificativa, parlamentares austríacos haviam aprovado moção contra o acordo comercial entre os dois blocos.

A resistência ao acordo, especialmente na França, na Áustria e na Irlanda, tem como principal motivação o velho protecionismo agrícola, muito forte em vários países europeus. Mas o dano às exportações brasileiras será obviamente o mesmo, pouco importando a motivação dominante - protecionismo comercial ou genuína preocupação com o meio ambiente. Em qualquer caso poderão perder-se bilhões de dólares.

O presidente Jair Bolsonaro e os ministros do Meio Ambiente e de Relações Exteriores parecem dar pouca ou nenhuma importância a esse risco. Não se trata só de sua preferência pela diplomacia do confronto, mas de atitudes concretas, tomadas internamente, contra políticas de preservação e organismos envolvidos na defesa ambiental, como o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Ameaças ao agronegócio brasileiro envolvem muito mais que a soja. Deve-se pensar em todos os produtos, embora com atenção especial ao complexo soja, às carnes e ao couro. São os mais citados quando a produção brasileira é vinculada, no imaginário estrangeiro, à destruição da Amazônia.

Neste ano, até setembro, o agronegócio brasileiro faturou US$ 71,98 bilhões com suas vendas externas e acumulou superávit de US$ 61,70 bilhões. Graças a isso, o Brasil conseguiu em todo o comércio externo de bens, nesse período, um saldo positivo de US$ 33,79 bilhões.

A União Europeia se manteve, de janeiro a setembro, como o segundo destino regional das vendas do agronegócio brasileiro, tendo absorvido produtos no valor de US$ 12,76 bilhões. Esse montante correspondeu a 17,7% da receita proporcionada pelas exportações do setor.

A Ásia, por causa das compras da China, permaneceu em primeiro lugar, comprando mercadorias brasileiras no valor de US$ 35,13 bilhões. O mercado chinês continuará sendo muito importante. Mas os negócios com o Brasil poderão ser afetados, embora de forma limitada, por acertos com o governo americano, na tentativa de encerrar a guerra comercial entre China e Estados Unidos.

O presidente Bolsonaro já criou dificuldades com parceiros do Oriente Médio, ao anunciar a transferência da embaixada em Israel para Jerusalém. O movimento só envolveu, enfim, um escritório comercial, porque alguém deve tê-lo dissuadido da imprudência. Mas a lição teve efeito limitado. Exportações do agronegócio são essenciais para a importantíssima segurança das contas externas.

OSEP, 28/09/2019, Espaço Aberto, p. A2

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