CB, Brasil, p. 11
25 de Jun de 2008
"A Amazônia é do Brasil"
Representante da ONU para Mudanças Climáticas, ex-presidente do Chile diz que Lula deve liderar novo acordo sobre emissão de CO2
"A Amazônia é do Brasil e o governo não tem necessidade de temer uma internacionalização da floresta por causa do debate ambiental." A avaliação é do representante especial das Nações Unidas (ONU) para Mudanças Climáticas, Ricardo Lagos, ex-presidente do Chile. Em entrevista concedida em Genebra, Lagos apelou para que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva lidere na região um compromisso por um acordo internacional sobre o clima e que estabeleça até mesmo metas de redução de emissões de CO2. "Esse será o acordo mais difícil já negociado pela humanidade", alerta o representante da ONU.
Ontem, o ex-secretário-geral das Nações Unidas Kofi Annan reuniu empresários, políticos e economistas em Genebra para o lançamento do Fórum Humanitário Global, que irá debater e apresentar sugestões sobre como evitar que a crise ambiental se transforme em uma tragédia para milhões de pessoas no mundo.
Para Lagos, o Brasil precisa ter um papel ativo no processo de negociação do novo acordo. "O Brasil é hoje o país mais autorizado para liderar a região e precisa fazer isso. Ninguém vai discutir a internacionalização da Amazônia se criarmos um acordo sobre esse tema", garantiu Lagos. Segundo ele, um acordo deve estabelecer um preço a ser pago para que uma árvore não seja cortada. "Podemos calcular isso com base no gás carbônico que a árvore em média absorve na floresta amazônica", sugeriu.
"A floresta é de soberania do Brasil. Mas é verdade que sua destruição pode afetar a todos. Por isso é que precisamos de um acordo", afirmou. Para ele, outro governo que deve liderar politicamente a região é o México, que já adotou metas de corte de emissões.
Lagos alertou que os países emergentes precisam se antecipar e liderar a criação de um organismo internacional que trate de meio ambiente. "Se nós não fizermos isso, os países ricos vão montar suas regras e depois teremos de adotá-las. Isso será ainda pior", alertou o ex-presidente chileno. Ele ainda defendeu a criação de uma nova classificação de países. Os ricos ficariam com a maior responsabilidade de cortar emissões, enquanto os mais pobres não teriam metas preestabelecidas. Mas um grupo intermediário teria algumas responsabilidades, já que suas emissões seriam cada vez maiores, como no caso da China e da Índia.
"Na prática, isso significa que os países emergentes começarão a enfrentar barreiras verdes que nunca foram consultadas. Já existem taxas sobre emissões de CO2 que estão sendo debatidas no senado norte-americano. Isso logo vai chegar aos produtos importados e, cada vez que o Brasil quiser exportar laranja, alguém nos Estados Unidos irá cobrar uma taxa pelas emissões geradas pela produção e transporte desses produtos", alertou Lagos.
Para Yvo de Boer, secretário-executivo da Conferência da ONU para Mudanças Climáticas, líderes mundiais estão sendo "criminosos" ao não demonstrar liderança no processo de negociação de um acordo internacional. "Escutamos grandes discursos. Mas, na mesa de negociações, a situação é bem diferente. Isso precisa mudar", criticou de Boer.
CB, 25/06/2008, Brasil, p. 11
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