VOLTAR

Amazonas discute suicídios entre índios

Kaxi.com.br
30 de Jul de 2007

A prostituição, as drogas e os suicídios estão aniquilando os jovens das mais de 50 etnias indígenas de São Gabriel da Cachoeira, município amazonense situado a 858 quilômetros de Manaus (AM), cuja população é 90% formada de índios que vivem na pobreza e com poucas perspectivas de vida.

A situação social dos jovens indígenas de São Gabriel é tão grave que o Fundo das Nações Unidas para a Infância e Adolescência (Unicef) decidiu apoiar a realização de um congresso no município que tem por objetivo discutir as principais causas de tamanha desagregação social no meio da floresta amazônica.

Com o título de I Congresso de Adolescentes e Jovens Indígenas de São Gabriel da Cachoeira, o evento começa nesta terça-feira, dia 31 de julho, e vai até sexta-feira, quando seus organizadores pretendem ter um balanço das causas que provocaram nos últimos dois anos o suicídio por enforcamento de oito adolescentes indígenas, além de 15 tentativas de suicídios por parte de jovens da mesma faixa etária.

Os suicídios e as tentativas de suicídios entre jovens adolescentes indígenas já resultaram inclusive num inquérito na Polícia Civil local, que também busca compreender o que os antropólogos apontam como principal causa a falta de perspectiva de vida entre as crianças e adolescentes das 50 etnias indígenas que vivem naquela região amazonense.

Promovido pela Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) e pelo Movimento dos Estudantes Indígenas do Amazonas (Meiam), o congresso vai debater temas como a prostituição, a Aids e o alcoolismo, grandes responsáveis pela desagregação social da juventude indígena.

Outro tema que estará em discussão no congresso indígena será a educação, que se apresenta muito deficitária na região, de acordo com relatório divulgado pela Unicef em 2005. Pelos dados do relatório da Unicef, 30,9% dos indígenas de zero a 14 anos de São Gabriel da Cachoeira são analfabetos, enquanto a média nacional é de 12,4%. Da mesma forma, crianças e adolescentes indígenas de 10 a 14 anos têm em média 2,5 anos de estudos, enquanto a média nacional entre não-índios da mesma faixa etária é de 4,2 anos.

As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.