VOLTAR

Alstom terá fábrica na região do Rio Madeira

OESP, Economia, p. B16
31 de Jan de 2008

Alstom terá fábrica na região do Rio Madeira
Gigante francês fornecerá equipamentos para usinas

Renée Pereira

A Alstom, gigante francesa de engenharia, especializada em infra-estrutura de transportes e energia, vai construir uma nova fábrica no Brasil. Em breve visita ao País, o presidente mundial da área de energia, Philippe Joubert, afirmou ao Estado que a unidade será instalada na região de Porto Velho, em Rondônia, e vai atender à demanda de equipamentos das hidrelétricas do Rio Madeira.

A Alstom está associada ao consórcio vencedor de Santo Antônio, liderado por Furnas e Odebrecht. Ela também será fornecedora da segunda usina (Jirau) do Madeira, cuja licitação deve ocorrer em maio, se o consórcio sair vencedor novamente. Só a hidrelétrica de Santo Antônio (3.150 MW) vai exigir 44 turbinas do tipo bulbo. Para Jirau (3.300 MW), serão outras 44 turbinas.

Ele destacou que, além dessas hidrelétricas, posteriormente a fábrica de Rondônia poderá atender outros projetos na região. "Trata-se de um mercado imenso de usinas. Quase todos os maiores projetos serão instalados no Norte, como é o caso de Belo Monte", diz ele.

Outro efeito provocado pelas hidrelétricas do Madeira é a ampliação da fábrica em Taubaté, onde são produzidos equipamentos para hidrelétricas e termoelétricas. No Brasil, a Alstom responde por mais de 60% da capacidade instalada, em projetos como Itaipu e Tucuruí.

Joubert antecipou que o mercado de biomassa - especialmente aquela produzida com cana-de-açúcar -, no Brasil tem seduzido a companhia. Ele afirmou que, poucas horas antes de dar a entrevista ao Estado conversou com outros dirigentes da empresa sobre o assunto.

"No momento, estamos avaliando o tamanho do mercado e o que poderíamos oferecer para o setor." Ele confessa, porém, que o mercado ainda é muito pequeno, atendido por competidores locais. "Minha divisão fatura 12 bilhões. Temos de pensar em produção mundial, não só local."

Durante sua passagem pelo País, para participar de um evento da empresa, Joubert afirmou que a crise interna no setor elétrico não é um problema apenas do Brasil. "No mundo há vários países que estão na zona de risco, pois as curvas de demanda e oferta se aproximaram demais. Temos visto isso na China, Rússia, Argentina, entre outras nações que cada vez discutem mais o assunto."

Segundo ele, não há receita milagrosa para evitar os problemas que o mundo vem enfrentando na área de energia elétrica, por causa da forte expansão da economia nos últimos anos. Mas argumenta que uma matriz energética equilibrada pode evitar grandes transtornos, especialmente no Brasil. "A solução energética vai passar pelo uso de todas as fontes de energia, seja hídrica, gás, carvão, nuclear, eólica e solar."

Joubert destaca que o carvão, que era considerado um negócio complicado e sujo, tem voltado a atrair a atenção de vários países. Na Europa, diz ele, a partir do momento em que a Rússia começou a pôr em dúvida sua capacidade e vontade de exportar o gás natural, todos passaram a olhar com mais atenção para o carvão.

"Nossas tecnologias estão cada vez mais avançadas para evitar impactos ambientais de qualquer tipo de energia. Assim como há as turbinas bulbo para diminuir o espaço alagado das hidrelétricas, reduzimos os impactos causados pelo carvão. Tiramos 98% da poluição desse combustível."

OESP, 31/01/2008, Economia, p. B16

As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.