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Alma de índio - Oslon Carlos E. P. de Barros

Dourados Agora - www.douradosagora.com.br
Autor: Oslon Carlos E. P. de Barros*
09 de Set de 2008

Dormi esta noite pensando nos índios. Nos meus antepassados. Minha avó dizia para nós crianças que o avô dela era índio. Que os índios nadavam nos rios, subiam em árvores, pescavam, caçavam e brincavam na floresta. Igual a gente. A única diferença é que as crianças de hoje brincam no parquinho da escola. As florestas estão sendo dilaceradas pela força do Capital. Leia-se soja, cana-de-açúcar e condomínios.

No desfile de Sete de Setembro deste ano, no domingo, (07/09/2008) nossas escolas lembraram dos excluídos sob o tema "Dourados: construindo, resgatando e vivenciando valores por um Brasil mais humano". É um momento importante para refletirmos juntos sobre a importância do índio na nossa sociedade.

O que será dos nossos índios? O encontro de tão rica cultura com os brancos não foi nada positivo. Pelo contrário. Foi - está sendo - pavoroso. Os índios nos deram - num primeiro momento - a ternura e, em troca, nós demos cachaça, drogas de toda ordem e doenças de todas as patologias. A principal delas é a que asfixia a alto-estima e a alegria de viver.

Sempre que vejo uma família kaiowá, terena ou guarani pelas ruas de Dourados, penso: aquelas crianças são iguais às minhas crianças; aqueles pais têm as mesmas dores e alegrias que meus pais tiveram. A lágrima deles não é diferente da minha. Se sentem fome, a fome não é diferente da minha. Então, por que tanta indiferença? Passam por nós como se não existissem. Em mim eles existem e estou impregnado de índio.

Penso nos índios da Raposa do Sol, em Roraima, cujas terras os arrozeiros querem a posse. Uma ilegalidade gritante que chega a ser absurda. Mas desses, o Supremo Tribunal Federal (STF), ao que parece, julgará o óbvio: que a terra pertence aos índios. Em 1998, o Ministério da Justiça publicou a Portaria no 820, de 11/12, que declarou como de posse permanente a Terra Indígena Raposa Serra do Sol, com superfície aproximada de 1.678.800 hectares e perímetro de 1.000 km.

O problema da Raposa do Sol é meia dúzia de rizicultores que foram chegando, chegando e ampliando as plantações nas terras indígenas. Tomaram em armas e afirmam que de lá não saem nem por força judicial. Coisa de branco.
Já na região de Dourados, segundo a Funai, atualmente temos 5.500 Guarani, 3 mil Kawá e 2.700 Terena sobrevivendo basicamente da agricultura.

Na gestão do prefeito Laerte Tetila, tratamos de respeitar a dignidade dos índios, enaltecendo sua cultura, respeitando as diferenças e ajudando ao máximo com médicos, escolas, incentivos para agricultura, maquinários, cestas básicas e cursos de aperfeiçoamento.

Em recente entrevista , Tetila fala sobre a alegria em ver nos rostos dos alunos a vontade de freqüentar a sala de aula. "Continuem firmes nos estudos para elevar a auto-estima e a dignidade indígena. Viva o Brasil! Viva o estudante indígena de Dourados!", exaltou.

Tetila falou sobre demarcação de terras: "Os indígenas são os legítimos originários das terras brasileiras. Na questão da terra, todos querem ter direitos, inclusive o índio quer reconquistar o seu tekorá sagrado, dos seus antepassados, e que não são tantas terras assim como estão alardeando, são alguns pontos na imensidão."

No Trânsito, estamos fazendo a nossa parte. Agora mesmo estamos capacitando 80 carroceiros - temos um total de 2.100 carroças - para trafegar com segurança pelas ruas da cidade. Já fizemos a instalação dos adesivos reflexivos e estamos fornecendo um curso de aperfeiçoamento.

Os alunos - a maioria indígena - aprendem orientações sobre o uso do veículo de tração animal, sinalização e legislação de trânsito, direção defensiva, cuidados com o animal e noções de primeiros socorros. Os nossos parceiros nesse trabalho são a Polícia Militar, Corpo de Bombeiros, Sest/Senat, Unigran e Guarda Municipal.

Você pode até dizer: mas é só isso! Respondo: É, acho até que você está certo. É muito pouco. Eles precisam mais, muito mais. Mas aí envolve você - que me diz que "é só isso!"; envolve o seu vizinho, o seu trabalho, o seu patrão, a sua empresa, a sua igreja, o seu bairro, o seu clube; envolve todos nós. Aí não será "só isso

*Superintendente de Transporte e Trânsito
Prefeitura de Dourados

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