JB, Internacional, p. A13
21 de Dez de 2003
Alívio no tratamento do câncer
Princípio ativo do ipê-roxo que reduz efeitos colaterais da quimioterapia será testado em humanos
Sheila Machado
O ipê-roxo (Tabebuia avellanedae), árvore do cerrado brasileiro e da Mata Atlântica, pode ajudar pacientes de câncer a sofrer menos com a quimioterapia e a radioterapia. Uma empresa de Votorantim (SP) se uniu à Universidade de Teikyo, no Japão, para estudar o lapachol, o princípio ativo mais importante da árvore.
A pesquisa começou há três anos e descobriu que a substância, retirada da casca do ipê-roxo, é um poderoso antiinflamatório e antioxidante. É justamente essa última característica que beneficia pacientes com vários tipos de câncer e em diferentes estágios da doença.
- Por acelerar a produção de células de defesa no organismo, o lapachol minimiza os efeitos colaterais da quimioterapia - explica ao JB a farmacêutica Janete Yasuda.
Os resultados em animais foram tão satisfatórios, que o teste em cobaias humanas já começa no ano que vem, com voluntários da Universidade de Teikyo. Em ratos, foi registrada uma rápida melhora na produção de células de defesa, quando o extrato de lapachol foi combinado com a quimioterapia.
- Dependendo do estágio do câncer, na primeira semana já começamos a observar resultados - afirma Janete.
Algumas das melhoras no tratamento são minimização do enjôo e da queda de cabelo, que acontecem porque ''a quimioterapia e a radioterapia destroem as células cancerosas, mas também as de defesa, saudáveis'', explica a farmacêutica.
No ano que vem, o extrato de ipê-roxo será colocado à venda no mercado japonês, porém como ''complemento alimentar''. A pesquisa deve ser concluída em 2007, quando se espera que o lapachol possa ser registrado como medicamento. Difícil é saber quem conseguirá primeiro. Se for o Japão, os brasileiros terão que pagar a patente para produzir o remédio.
- Nosso interesse na pesquisa é conhecer as capacidades fitoterápicas do ipê-roxo. Não sabemos se vamos conseguir registrar o lapachol no Brasil. O processo é complicado, o Ministério da Saúde exige testes de estabilidade, vários resultados comprovados. É inviável para uma empresa pequena arcar com tudo isso - lamenta Janete, da Roberg Alimentos.
No Brasil, a venda de ipê-roxo é proibida para a população, pois a regulamentação do setor de fitoterápicos só permite que se vendam ervas importadas, com exceção do guaraná, da espinheira-santa e da pfáfia, que têm a indicação de ''alimentos funcionais'' reconhecida.
JB, 21/12/2003, Internacional, p. A13
As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.