OESP, Negócios, p. B18
02 de Nov de 2005
Alimentos, moda, móveis. São os lucros que vêm das florestas
A partir de sábado, São Paulo sedia a primeira feira de produtos e serviços com foco em sustentabilidade
Mariana Barbosa
Em vez de reclamar dos prejuízos provocados pelo desmatamento das florestas, difundir e contabilizar os lucros da economia florestal. Com essa idéia na cabeça e o foco nos negócios, um grupo de quatro entidades ambientalistas (Amigos da Terra, Imazon, Imaflora e Reserva da Biosfera da Mata Atlântica) juntaram esforços para realizar, em São Paulo, uma feira de produtos de origem florestal, todos produzidos de forma sustentável.
A Mercado Florestas, que será realizada de 5 a 8 de novembro na Oca do Parque Ibirapuera, reúne 200 expositores cujos produtos e serviços refletem a biodiversidade de ecossistemas como Amazônia, Mata Atlântica e Cerrado.
Com produtos voltados tanto para o varejo quanto para as indústrias de transformação, a feira traz para São Paulo desde produtores de mel nativo (de uma abelha sem ferrão, da Amazônia), e óleos e insumos para a fabricação de cosméticos a bolsas de couro vegetal e designers de móveis com madeira certificada, fibras e cipó. "A economia florestal é uma realidade em termos de emprego e renda", afirma o coordenador geral do evento e diretor da ONG Amigos da Terra, Roberto Smeraldi.
Quantificar essa realidade é um dos desafios que os organizadores pretendem começar a enfrentar a partir da realização da feira. "Nós, ambientalistas, somos experts em contabilizar o prejuízo com desmatamentos, grilagem, invasão de terras indígenas. Mas, na hora de contabilizar o lucro, ninguém sabe, ninguém conhece", diz Smeraldi. Esse olhar negativo, na avaliação do coordenador da feira, impede uma discussão sobre as florestas como "solução" para o País. "Precisamos mostrar a força econômica desse grupo, mostrar que existe massa crítica."
GASTRONOMIA
Apesar de ser uma feira voltada para os negócios - com compradores brasileiros e estrangeiros -, a feira tem atrações para o público em geral, como uma loja e um showroom gastronômico. A loja, com mais de 900 artigos produzidos por cerca de 100 comunidades, estará aberta aos visitantes do Ibirapuera que, para entrar, não precisarão pagar os R$ 20 de ingresso da feira. No subsolo da Oca, cujo acesso é restrito aos visitantes da feira, as pessoas poderão degustar produtos da terra em receitas contemporâneas criadas por oito chefs renomados, como Alex Atalla e Píer Paulo Picchi, sob a curadoria do consultor Quentin Geenen de Saint Maur. O passaporte gastronômico custa R$ 60.
A ambientação do Mercado Florestas é assinada pelo artista plástico Antonio Peticov, que fez uso de materiais das próprias florestas para decorar o ambiente. Logo na entrada, o rústico saúda o moderno com uma oca "verdadeira" fazendo as vezes de ante-sala para a grande oca de Oscar Niemeyer.
Grandes redes de supermercado no Brasil, como Pão de Açúcar, já confirmaram presença. Do exterior, virão empresas como Royal Friesland Foods, multinacional holandesa de alimentos que fatura US$ 4,6 bilhões e que está interessada no fornecimento de polpas e frutas da Amazônia.
Paralelamente à feira haverá uma série de palestras sobre gestão de recursos naturais e desenvolvimento de negócios sustentáveis, entre outros temas. Empresários e executivos de empresas como Tok&Stok, Tramontina e Natura darão sua contribuição às discussões, juntamente com os governadores do Acre, Jorge Viana, e do Amapá, Waldez Góes, além da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva. A ministra em exercício do Comércio Exterior da Holanda, Maria van der Hoeven, já confirmou presença e terá um encontro com o ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues.
O Mercado Florestas conta com o apoio do governo da Holanda, do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), do Ministério das Relações Exteriores e da União Européia.
OESP, 02/11/2005, Negócios, p. B18
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