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Alimento sobe porque pobre está comendo mais

OESP, Economia, p. B4
11 de Abr de 2008

'Alimento sobe porque pobre está comendo mais'
Na Holanda, Lula defendeu biocombustível e justificou alta do preço dos alimentos; primeiro-ministro holandês vê relação entre inflação e etanol

Tânia Monteiro, HAIA

Apesar da defesa dos biocombustíveis feita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o primeiro-ministro holandês, Jan Peter Balkenende, afirmou que há, sim, relação entre inflação e a produção desse tipo de energia. Falando ao lado de Lula durante a declaração conjunta, após encontro entre os dois, na manhã de ontem, Balkenende defendeu ainda uma "estratégia internacional" para tratar do assunto.

Lula, que cumpre visita oficial aos Países Baixos e segue hoje à noite para a República Checa, fez a sua declaração oficial defendendo a sustentabilidade do biocombustível e alegando que ele é "a esperança de modelo de desenvolvimento de países mais pobres".

Ao ser questionado pela imprensa brasileira sobre a alta da inflação no Brasil e no mundo e sobre as críticas dos europeus ao etanol brasileiro, o presidente desabafou: "Não me venham com o discurso de dizer que é o biocombustível que está causando aumento do (preço do) alimento. Não digam isso". Para Lula, o que está causando o aumento do preço dos alimentos é o fato de que "milhões de pobres do mundo estão comendo mais". E deu a receita para solucionar o problema: "O mundo precisa produzir mais alimentos".

Logo depois das declarações de Lula, o primeiro-ministro holandês afirmou que "é preciso estar consciente do fato de que há um relação entre a situação de inflação e energia". Segundo ele, a inflação da Holanda é baixa, comparada com a média européia, mas está crescendo.

"Há diferentes fatores relevantes para explicar o aumento da inflação e, em parte, isso tem a ver com o preço das commodities e com o preço da energia", sustentou. "Temos de falar de biocombustíveis, de sustentabilidade e renováveis."

Mesmo demonstrando preocupação com a inflação brasileira, que atingiu 0,48% em março - maior índice desde 2005 -, Lula disse que o problema será resolvido "com muita facilidade". Para ele, dois produtos foram responsáveis pela alta: o feijão e o leite. "Ora, são dois produtos que temos competência para produzir em maior escala."

O presidente rebateu acusações de que o Brasil está substituindo áreas de plantação de alimentos por cana para etanol e biodiesel. "Só de terras que eram pasto e estão degradadas, mas podem ser recuperadas para produzir o que quisermos, temos cerca de 60 milhões de hectares, ou seja, mais do que muitos países em sua totalidade."

Lula defendeu os biocombustíveis em pelo menos duas outras oportunidades. Pela manhã, com os presidentes da Câmara e do Senado holandês, argumentou que o etanol brasileiro é mais sustentável que o americano, oriundo do milho. Mais tarde, com empresários, em Amsterdã, voltou a defender o álcool brasileiro.

OESP, 11/04/2008, Economia, p. B4

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