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Aliados apoiam indígenas e Lula transfere dragagem no PA ao Congresso para conter atrito com o agro

O Globo - oglobo.globo.com
19 de Fev de 2026

Aliados apoiam indígenas e Lula transfere dragagem no PA ao Congresso para conter atrito com o agro

Por Pâmela Dias
19/02/2026 14h32

Em meio à escalada de tensões em torno do decreto que incluiu trechos dos rios Tapajós, Madeira e Tocantins no Programa Nacional de Desestatização, parlamentares do PSOL desembarcaram em Santarém (PA) para apoiar a ocupação indígena contra a medida - num momento em que o governo federal evita assumir posição clara sobre o conflito.

Cerca de 2 mil indígenas do Baixo Tapajós ocupam as estruturas da multinacional Cargill na região. Há pouco, o movimento avançou sobre uma balsa de grãos da empresa. A mobilização protesta contra o decreto já assinado por Lula, que abre caminho para concessões privadas em mais de 3 mil quilômetros de hidrovias.

O decreto foi editado apesar das críticas de povos indígenas, organizações indigenistas e ambientalistas, que apontam ausência de consulta prévia e riscos socioambientais. A repercussão negativa, porém, não foi bem absorvida no governo. Diante da pressão, o Planalto tem evitado novos movimentos públicos sobre o tema e passou a sinalizar que eventual revisão caberá ao Congresso.

É nesse cenário que a base governista se movimenta. A comitiva é formada pelas deputadas federais Sâmia Bomfim e Fernanda Melchionna, pela deputada estadual Monica Seixas e pela vereadora de Belém Vivi Reis. No Congresso, Sâmia e Fernanda são autoras do projeto de decreto legislativo que tenta sustar os efeitos da medida presidencial.

E aí entra o jogo político: se o decreto for derrubado, a decisão partirá do Legislativo, não de um recuo formal do Planalto. Na prática, a "batida de martelo" pode acabar transferida ao Congresso, reduzindo o custo político direto para o Executivo, o que ajudaria Lula a não perder mais pontos com o agro.

Segundo o movimento, a transformação dos rios em hidrovias voltadas ao escoamento de commodities prevê dragagens com potencial de impacto socioambiental significativo em municípios do oeste do Pará, como Santarém, Belterra, Aveiro, Itaituba, Trairão e Jacareacanga, além de atingir comunidades ribeirinhas e áreas de floresta.

A agenda em Santarém começou às 8h, com concentração na ocupação da Cargill para ato no Rio Tapajós, com deslocamento de barco. Às 14h, está prevista plenária do movimento indígena com as parlamentares, e, às 19h30, o dia se encerra com o ato cultural "Artistas pela revogação do Decreto 12.600".

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